Há poucos dias, foi publicado no New York Times uma crítica de arte sobre o CyberArts Festival de Boston, que é um festival que incorpora exposições e performances feitas por artistas que utilizam a tecnologia como parte integral do trabalho. A crítica de arte Sarah Boxer foi super irônica e detonou tudo o que viu na exposição, agradando aos cínicos que já detonam qualquer arte que não seja Monet, e deixando os artistas do nosso tempo mais desamparados na mídia.
Mas como o pessoal na web não cala a boca nem se pagarem, a reação foi imediata e rolou este excelente artigo de Steve Dietz reagindo à Sra. Sarah Boxer:
(desculpem, vai em inglês mesmo)
+++++
" Since others were discussing the NYT review of the cyberarts festival, i thought i'd post Steve Dietz's response from his blog. He rightly criticizes the author not for a lack of knowledge about interactive art per se, but contemporary art in general.
Art Critic Misses the Big PictureM
It's not that Sarah Boxer is clueless. I don't believe that someone has to "get" interactive art to write about it. Maybe some of the artwork she skewers in her April 26 New York Times review of the Boston Cyberarts Festival, Art That Puts You in the Picture, Like It Or Not, is as "irritating" as she claims it is. What should concern her readers, and even more so her editors, is her apparent lack of perspective about contemporary art. Let us count the ways.
Boxer: Problem No. 1: potty-mouthed machines. "PS," by Gretchen Skogerson and Garth Zeglin at the Stata Center, is an oval mirror with a sign that bids you "lean in close." You do. A voice says, "I like to masturbate in public." Ack. Did anyone else hear that? Can anyone say Seedbed?
For his notorious and influential performance at Sonabend Gallery in 1972, Vito Acconci lay beneath the floorboards of a constructed ramp masturbating while his fantasies about the visitors above him were broadcast over loudspeakers. Ack.
Boxer: Problem No. 2: too much ritual, too little time. "1-Bit Love," by Noah Vawter, is a musical altar, a totem covered in foil and exuding a synthetic rhythm (a one-bit wave form). The pillar has red velvet knobs. People are supposed to lay hands on it and turn the knobs to modulate the sound. No one wants to be the first to paw the idol. And once you do, it's not clear what effect you are having. [emphasis added]
Compare: Nam June Paik, Participation TV, 1963 - 1966[Participation TV I] concerns a purely acoustic-oriented type of , with an integrated microphone. The later version serves a television showing in the middle of its screen a colored bundle of lines which explosively spread out to form bizarre-looking line formations the moment someone speaks into the microphone or produces any other type of sound. Depending on the sound‚s inherent quality or volume, the signals are intensified by a sound-frequency amplifier to produce an endless variety of line formations which never seem to repeat themselves or be in any way predictable. [emphasis added] (via Media Art Net)
Boxer: [P]roblem No. 3: ungraciousness. Machines make no bones about their own flaws, but are unbending about yours.
Let's just stick to photography (another machine art). Gary Winogrand. Diane Arbus. Lee Friedlander. Tina Barney. Lisette Modell. Shelby Lee Adams. Susan Meiselas (Carnival Strippers). Bill Owens. Walker Evans. Bruce Gilden. Nan Goldin, Richard Avedon (The American West). Stop me, please.
Boxer: [P]roblem No. 4: moral superiority. Consider "Applause," by Jeff Lieberman, Josh Lifton, David Merrill and Hayes Raffle. You stoop to enter a curtained booth. (Already you're in the weak position.) There's a movie screen divided into three parts, and in front of each is a microphone. Clap vigorously into one of the microphones and the movie screen in front of it comes to life, playing its movie. Stop clapping and the action grinds to a halt.
Now, wouldn't it be great if you could get all three screens going at once? You can! Just run from mike to mike, clapping in front of all three. Now they're all going! Uh-oh. It's Hitler giving a speech. And there you are clapping like crazy, you idiot.
Compare: Paul McCarthy, Documents(1995-1999). "Selections of 8 x 10 photographs with images of Disneyland and other American pop items and images from Nazi Germany, mounted and framed." (via) You should hear the docents trying to explain that one without making the public feel like idiots.
My point is not that the work at the Cyberarts Festival necessarily compares favorably with these iconic works of contemporary art, but Boxer's reasoning is lazy at best. And yet it is so commmonplace in the mainstream press as to be almost not worth mentioning, except that this hasn't always been true at the Times. To give Boxer credit, she does not fixate on the cost, collectability, or technology of the works, but neither does she provide even the most minimal sense of context, except her own apparent discomfort at being in the picture. This despite almost a half century of contemporary art that does just that from Michelangelo Pistoletto to Bruce Nauman to Dan Graham to Andrea Fraser to Janet Cardiff to ...
I don't know whether to laugh or cry.
++++++
PRECISO DIZER MAIS ALGUMA COISA???
4.5.05
2.5.05
A palavra e a coisa
Recebi um comentário interessante do Horvallis :
Arte contemporânea existe somente como desafio a Foucault que disse que "a palavra cria a coisa" - talvez a "arte contemporânea" seja o único caso em que as palavras não criaram nada !
Regardez, Horvallis, discordo.
O buraco da lingüística na arte contemporânea, ou no pensamento contemporâneo em geral, é um pouco mais abrangente. Além de Foucault, deve-se olhar atentamente as teorias de Roland Barthes, Saussure, Bardiou, Jameson, Derrida, Deleuze, Wittgenstein, até Chomsky e recuando até Heidegger e Hegel. A questão que predomina em todas as linguagens visuais contemporâneas, historicamente a partir dos anos 60, é centrada na transição da forma modernista à estrutura pós-modernista. Dessa transição derivam-se as correntes de pensamento desconstrutivistas e estruturalistas nascidas na França pós-68 e desenvolvidas nos Estados Unidos sob a alcunha de "pós-modernismo".
Em termos muitos gerais, o que esses filósofos estão querendo dizer é que é necessário recorrer à análise da estrutura para de alguma forma tentar definir o "ser" contemporâneo. Não somos mais, nem podemos mais ser, estritamente formais como foram os modernistas em que a essência da pintura, por exemplo, era encontrada na crítica da própria pintura. Ou seja, a pintura era mais pintura porque questionava a si própria e transcendia seus próprios limites. Isso é evidenciado na trajetória da figuração à abstração pura que iniciou com a quebra e o achatamento do plano pictórico cubista até a abstração geométrica total que foi desembocar na arte concreta. Só que o significado da obra de arte só aguentou o esvaziamento até certo ponto pois chegou num beco sem saída, daí vários críticos americanos terem declarado "o fim da pintura". Mas da mesma forma que a natureza sempre encontra uma forma de regeneração, a arte teve que encontrar algum meio de "sobrevivência" pois tudo já tinha sido feito.
Toda essa pesquisa modernista foi desembocar na virada da arte conceitual e na arte minimalista. A arte conceitual quer passar a idéia, em parte fundamentada pela maioria desses pensadores citados acima, de que a arte é mais do que aquilo que se vê. Que a arte pode estar contida dentro de um gesto, de uma ação, de uma idéia e que a obra de arte é como se fosse uma peça que aja como "parteira" para essa idéia, uma testemunha do gesto e da ação, ou evidência de um processo de pensamento. Faz parecer que a arte é uma continuação da vida, e não um objeto alien a ela.
Para entender como "a palavra cria a coisa" é preciso ler 2 textos importantes: o "Arte depois da Filosofia" de Joseph Kosuth, que é o texto sobre arte conceitual mais radical, e o Manifesto Neo-Concreto e Ferreira Gullar. Ambos artistas inclusive fundamentam os textos em suas próprias obras. O Kosuth reduziu tudo à definição de dicionário de dada palavra e estampou isso sobre vidros, querendo tornar a arte o menos palpável possível. O Ferreira Gullar pegou a palavra literalmente e fez com que ela se tornasse a própria obra.
Acabou a aulinha.
E só pra ampliar os horizontes do pessoal, o negócio é o seguinte: arte contemporânea não é só aquela arte hermética e conceitual que você olha e pensa "e daí?". Arte contemporânea não é só feita para confundir o espectador. Existe arte contemporânea de excelente qualidade. E como dizem por aí "beauty is in the eye of the beholder"...
Arte contemporânea existe somente como desafio a Foucault que disse que "a palavra cria a coisa" - talvez a "arte contemporânea" seja o único caso em que as palavras não criaram nada !
Regardez, Horvallis, discordo.
O buraco da lingüística na arte contemporânea, ou no pensamento contemporâneo em geral, é um pouco mais abrangente. Além de Foucault, deve-se olhar atentamente as teorias de Roland Barthes, Saussure, Bardiou, Jameson, Derrida, Deleuze, Wittgenstein, até Chomsky e recuando até Heidegger e Hegel. A questão que predomina em todas as linguagens visuais contemporâneas, historicamente a partir dos anos 60, é centrada na transição da forma modernista à estrutura pós-modernista. Dessa transição derivam-se as correntes de pensamento desconstrutivistas e estruturalistas nascidas na França pós-68 e desenvolvidas nos Estados Unidos sob a alcunha de "pós-modernismo".
Em termos muitos gerais, o que esses filósofos estão querendo dizer é que é necessário recorrer à análise da estrutura para de alguma forma tentar definir o "ser" contemporâneo. Não somos mais, nem podemos mais ser, estritamente formais como foram os modernistas em que a essência da pintura, por exemplo, era encontrada na crítica da própria pintura. Ou seja, a pintura era mais pintura porque questionava a si própria e transcendia seus próprios limites. Isso é evidenciado na trajetória da figuração à abstração pura que iniciou com a quebra e o achatamento do plano pictórico cubista até a abstração geométrica total que foi desembocar na arte concreta. Só que o significado da obra de arte só aguentou o esvaziamento até certo ponto pois chegou num beco sem saída, daí vários críticos americanos terem declarado "o fim da pintura". Mas da mesma forma que a natureza sempre encontra uma forma de regeneração, a arte teve que encontrar algum meio de "sobrevivência" pois tudo já tinha sido feito.
Toda essa pesquisa modernista foi desembocar na virada da arte conceitual e na arte minimalista. A arte conceitual quer passar a idéia, em parte fundamentada pela maioria desses pensadores citados acima, de que a arte é mais do que aquilo que se vê. Que a arte pode estar contida dentro de um gesto, de uma ação, de uma idéia e que a obra de arte é como se fosse uma peça que aja como "parteira" para essa idéia, uma testemunha do gesto e da ação, ou evidência de um processo de pensamento. Faz parecer que a arte é uma continuação da vida, e não um objeto alien a ela.
Para entender como "a palavra cria a coisa" é preciso ler 2 textos importantes: o "Arte depois da Filosofia" de Joseph Kosuth, que é o texto sobre arte conceitual mais radical, e o Manifesto Neo-Concreto e Ferreira Gullar. Ambos artistas inclusive fundamentam os textos em suas próprias obras. O Kosuth reduziu tudo à definição de dicionário de dada palavra e estampou isso sobre vidros, querendo tornar a arte o menos palpável possível. O Ferreira Gullar pegou a palavra literalmente e fez com que ela se tornasse a própria obra.
Acabou a aulinha.
E só pra ampliar os horizontes do pessoal, o negócio é o seguinte: arte contemporânea não é só aquela arte hermética e conceitual que você olha e pensa "e daí?". Arte contemporânea não é só feita para confundir o espectador. Existe arte contemporânea de excelente qualidade. E como dizem por aí "beauty is in the eye of the beholder"...
28.4.05
Ouvintes
Recebemos ilustres visitantes na aula do mestrado outro dia. Por causa da chuva, 2 cachorros vira-lata, concebidos e nascidos na Ilha do Fundão (o que faria deles "fundilhos"?) invadiram a sala de aula e se instalaram no cantinho para protegerem-se da chuva.
Devem ter saído de lá formados.
Devem ter saído de lá formados.
arte contemporanea...bah!
Não posso evitar de citar e linkar o BLOGMA 2005 do Bruno Rabin, David Butter, Igor Barbosa, Márcio Guilherme, com reflexões pontuais sobre arte contemporânea, objeto de estudo e profissão não-remunerada cuja definição intriga quem vos escreve agora.
Cito: Blogma 2005
Fica vedada qualquer menção a Foulcault, salvo esta.
(...)
Como regra, arte plástica contemporânea só é arte para estes blogs no sentido desta frase: “Meu filho, vê se pára de fazer arte!” Aliás, arte contemporânea passa a ser contradição em termos. (...)
Quanto ao Foucault, os meninos têm toda razão. A minha última leitura hors-mestrado foi Modernity and Self-Identity do sociólogo inglês Anthony Giddens que dá de mil no Foucault. Não me levem a mal, eu adoro Foucault, tanto que um dos meus trabalhos é um panóptico de imagens de webcams bem foucaultiano. Mas o Giddens dá de mil pois consegue produzir uma leitura fácil e palpável a qualquer ser antenado nos movimentos deste mundo ao mesmo tempo que traça uma teoria do ser na modernidade bastante complexa. E isso tudo sem o bi-bi-bi-bu-bu-bu dos franceses (que escrevem teoria só pra pegar menininha no café da esquina. Recomendo.
Mas porque o ódio à arte contemporânea?? Vocês não entenderam arte contemporânea até hoje? Até o pessoal lá do mestrado não consegue chegar a um consenso sobre que raios é essa arte que tem nome e sobrenome. Talvez se botássemos ela na lista de chamada na aula, ela talvez responda.
Cito: Blogma 2005
Fica vedada qualquer menção a Foulcault, salvo esta.
(...)
Como regra, arte plástica contemporânea só é arte para estes blogs no sentido desta frase: “Meu filho, vê se pára de fazer arte!” Aliás, arte contemporânea passa a ser contradição em termos. (...)
Quanto ao Foucault, os meninos têm toda razão. A minha última leitura hors-mestrado foi Modernity and Self-Identity do sociólogo inglês Anthony Giddens que dá de mil no Foucault. Não me levem a mal, eu adoro Foucault, tanto que um dos meus trabalhos é um panóptico de imagens de webcams bem foucaultiano. Mas o Giddens dá de mil pois consegue produzir uma leitura fácil e palpável a qualquer ser antenado nos movimentos deste mundo ao mesmo tempo que traça uma teoria do ser na modernidade bastante complexa. E isso tudo sem o bi-bi-bi-bu-bu-bu dos franceses (que escrevem teoria só pra pegar menininha no café da esquina. Recomendo.
Mas porque o ódio à arte contemporânea?? Vocês não entenderam arte contemporânea até hoje? Até o pessoal lá do mestrado não consegue chegar a um consenso sobre que raios é essa arte que tem nome e sobrenome. Talvez se botássemos ela na lista de chamada na aula, ela talvez responda.
19.4.05
A Sindrome de Anastacia
Caraca. mais de um mês sem escrever....foi-mal-galeraaaaa!!! a minha vida está uma confusão: separação, mestrado, frilas...mas de vez em quando me sobra um tempinho para escrever besteiras:
Há uma tentativa de ressuscitar o comunismo no mundo. E essa tentativa não parte dos alunos de graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nem do PT, mas dos russos. Aquele povo que habita terras geladas que cobrem meio-mundo e que um dia tentaram nos convencer que a igualdade social e econômica exisitiria entre os humanos. Só não detono os comunistas de vez porque eles nos deram artistas como Malevich, Eisenstein, e boa vodka. (talvez isso só teria acontecido por causa da boa vodka, mas deixa pra lá.)
Como é sabido, os novos contratados do politburo ex-soviético são as belas fêmeas por ali produzidas em série para consumo interno tendo em vista a manutenção da saúde mental e sexual da população e que agora, no neo-capitalismo selvagem instaurado depois da queda do muro, viraram produto de exportação.
Estou falando das meninas russas (todas elas com diplomas universitários) que se promovem em sites de relacionamentos à procura do homem perfeito. Através de táticas de miscigenação aprendidas com os colonos portgueses do século 17, essas russinhas estão rapidamente populando o planeta com comunistazinhos híbridos. E elas gostam de principalmente de laçar "alvos" americanos, tornando a guerra fria uma guerra muy caliente...Por homem perfeito entende-se que este "alvo estratégico" tenha: uma economia estável (grana no bolso), identificação cultural forte (senso de humor), um sentido de comprometimento na política interna (gostar de crianças e família).
E como não poderia deixar de ser, os russos, bons que são de propaganda política (melhor que os brasileiros em horário eleitoral), têm uma forma inusitada de chamar a atenção para este novo produto que com certeza garantirá a permanência do recém-assassinado comunismo no mundo (ou assim acreditávamos), através do turismo:
"...Read our travel guide about this country and its ladies and start dating one of the girls from Ukraine..."
Visite os campos de trigo da Ucrânia, e leve uma mulher como souvenir! (Essa valorização da mulher sempre me impressiona...)
Bem, se as brasileiras não estiverem os satisfazendo, saibam que a princesa Anastácia estará à sua espera...
ANASTASIAWEB
O melhor da história é que este site é baseado nos EUA! Por falar em guerra fria-caliente....
Há uma tentativa de ressuscitar o comunismo no mundo. E essa tentativa não parte dos alunos de graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nem do PT, mas dos russos. Aquele povo que habita terras geladas que cobrem meio-mundo e que um dia tentaram nos convencer que a igualdade social e econômica exisitiria entre os humanos. Só não detono os comunistas de vez porque eles nos deram artistas como Malevich, Eisenstein, e boa vodka. (talvez isso só teria acontecido por causa da boa vodka, mas deixa pra lá.)
Como é sabido, os novos contratados do politburo ex-soviético são as belas fêmeas por ali produzidas em série para consumo interno tendo em vista a manutenção da saúde mental e sexual da população e que agora, no neo-capitalismo selvagem instaurado depois da queda do muro, viraram produto de exportação.
Estou falando das meninas russas (todas elas com diplomas universitários) que se promovem em sites de relacionamentos à procura do homem perfeito. Através de táticas de miscigenação aprendidas com os colonos portgueses do século 17, essas russinhas estão rapidamente populando o planeta com comunistazinhos híbridos. E elas gostam de principalmente de laçar "alvos" americanos, tornando a guerra fria uma guerra muy caliente...Por homem perfeito entende-se que este "alvo estratégico" tenha: uma economia estável (grana no bolso), identificação cultural forte (senso de humor), um sentido de comprometimento na política interna (gostar de crianças e família).
E como não poderia deixar de ser, os russos, bons que são de propaganda política (melhor que os brasileiros em horário eleitoral), têm uma forma inusitada de chamar a atenção para este novo produto que com certeza garantirá a permanência do recém-assassinado comunismo no mundo (ou assim acreditávamos), através do turismo:
"...Read our travel guide about this country and its ladies and start dating one of the girls from Ukraine..."
Visite os campos de trigo da Ucrânia, e leve uma mulher como souvenir! (Essa valorização da mulher sempre me impressiona...)
Bem, se as brasileiras não estiverem os satisfazendo, saibam que a princesa Anastácia estará à sua espera...
ANASTASIAWEB
O melhor da história é que este site é baseado nos EUA! Por falar em guerra fria-caliente....
3.3.05
Computador ou nao computador
AMEI os comentários no post sobre arte e computador.
Para mim a questão é simples: a arte sempre andou agarrada a todas as inovações tecnológicas. Quando inventaram a tinta a óleo vendida pronta em tubinhos, os impressionistas falaram "oba!! agora posso pintar no meio do mato com um cavaletezinho sem ter que levar uma penca de assistentes pra ficar macerando pigmento na floresta!" Imaginem que se não fosse a tinta em tubinhos, a maioria esmagadora de telas impressionistas nunca teria sido feita. Pois foi justamente o tubinho portátil que permitiu que os caras estivessem ali, in loco, observando a mudança da luz que transmitiam aos seus quadros...
Agora imagina o século 21. Sociedade pós-capitalista pós-feminista pós-pós-moderna. Guerras comandadas de bases longínquas através de tecnologia. Telefone Celular. Internet. Como é que a arte pode ficar à margem disso tudo? A arte é sempre uma reflexão da inovação da época corrente. Se hoje a questão de conectividade e acesso a informação é uma das mais importantes na história contemporânea, é natural que a arte encontre um espaço ali.
Eu acho que o computador veio adicionar muita coisa à arte. Concordo que esteticamente, a maioria das ilustrações digitais feitas por aí são um tédio e cafonas. MAS, quando falo arte+computador não falo de estética. Caguei para a estética. O interesse está no sistema de captura e disseminação de informação, de como as imagens vão parar num site, o que acontece com elas, e como saem de lá. Em como a informação pura pode se tornar um agente de entendimento da nossa época muito mais eficaz e elucidativo do que tinta a óleo sobre tela.
O computador também não exclui ninguém. Ainda se fabricam anualmente toneladas de tinta a óleo para pintar sobre tela. A fotografia digital é para a fotografia mecânica o que o telefone comum é para o telefone celular. A função é a mesma, o objetivo idêntico. Só muda a tecnologia.
Mas a gente pode passar o dia inteiro debatendo as "receitas" para fazer arte. O que importa pra valer é o seguinte: é o OLHAR. Com o olhar, faz-se boa arte até com um pedaço de pau, lixo, com o próprio corpo, ou com a meleca que acabou de tirar do nariz.
Tudo é significado. E eu não troco a minha arte feita com computador por nada nesse mundo. É a fronteira das possibilidades.
Para mim a questão é simples: a arte sempre andou agarrada a todas as inovações tecnológicas. Quando inventaram a tinta a óleo vendida pronta em tubinhos, os impressionistas falaram "oba!! agora posso pintar no meio do mato com um cavaletezinho sem ter que levar uma penca de assistentes pra ficar macerando pigmento na floresta!" Imaginem que se não fosse a tinta em tubinhos, a maioria esmagadora de telas impressionistas nunca teria sido feita. Pois foi justamente o tubinho portátil que permitiu que os caras estivessem ali, in loco, observando a mudança da luz que transmitiam aos seus quadros...
Agora imagina o século 21. Sociedade pós-capitalista pós-feminista pós-pós-moderna. Guerras comandadas de bases longínquas através de tecnologia. Telefone Celular. Internet. Como é que a arte pode ficar à margem disso tudo? A arte é sempre uma reflexão da inovação da época corrente. Se hoje a questão de conectividade e acesso a informação é uma das mais importantes na história contemporânea, é natural que a arte encontre um espaço ali.
Eu acho que o computador veio adicionar muita coisa à arte. Concordo que esteticamente, a maioria das ilustrações digitais feitas por aí são um tédio e cafonas. MAS, quando falo arte+computador não falo de estética. Caguei para a estética. O interesse está no sistema de captura e disseminação de informação, de como as imagens vão parar num site, o que acontece com elas, e como saem de lá. Em como a informação pura pode se tornar um agente de entendimento da nossa época muito mais eficaz e elucidativo do que tinta a óleo sobre tela.
O computador também não exclui ninguém. Ainda se fabricam anualmente toneladas de tinta a óleo para pintar sobre tela. A fotografia digital é para a fotografia mecânica o que o telefone comum é para o telefone celular. A função é a mesma, o objetivo idêntico. Só muda a tecnologia.
Mas a gente pode passar o dia inteiro debatendo as "receitas" para fazer arte. O que importa pra valer é o seguinte: é o OLHAR. Com o olhar, faz-se boa arte até com um pedaço de pau, lixo, com o próprio corpo, ou com a meleca que acabou de tirar do nariz.
Tudo é significado. E eu não troco a minha arte feita com computador por nada nesse mundo. É a fronteira das possibilidades.
Rule-based Art
Na PaceWildenstein em NY, uma exposição sobre "Rule-Based Art", traduzindo: arte feita a partir de regras.
Do release: Logical Conclusions explores the work of dozens of artists who apply a system of rules to their process of creation, resulting in artwork that ultimately becomes created, generated, and constructed by the imposed algorithm. As Glimcher states in his essay, the rule-based art on exhibit is “created utilizing one or more logic-based systems to direct the design and creation of the object.” The systems may be based on or derived from mathematics, logic, and game theory and therefore can range from the use of scientific proofs to arbitrary yet personally consequential rules. The processes extend from formula based systems with deterministic outcomes to variable systems that allow for the artist’s hand to show through to systems of chaotic processes whose results are completely unpredictable.
E é exatamente o que eu faço com os meus painéis compostos de imagens que busco no Google....crio o método, aplico o algoritmo, e o resultado é a manifestação de um sistema, de uma "vontade" imposta pelo método, e não sujeito à minha inspiração subjetiva/divina. Gosto de fazer porque não é indulgente. Sistemas de pensamento são mais poderosos do que a estética...
Do release: Logical Conclusions explores the work of dozens of artists who apply a system of rules to their process of creation, resulting in artwork that ultimately becomes created, generated, and constructed by the imposed algorithm. As Glimcher states in his essay, the rule-based art on exhibit is “created utilizing one or more logic-based systems to direct the design and creation of the object.” The systems may be based on or derived from mathematics, logic, and game theory and therefore can range from the use of scientific proofs to arbitrary yet personally consequential rules. The processes extend from formula based systems with deterministic outcomes to variable systems that allow for the artist’s hand to show through to systems of chaotic processes whose results are completely unpredictable.
E é exatamente o que eu faço com os meus painéis compostos de imagens que busco no Google....crio o método, aplico o algoritmo, e o resultado é a manifestação de um sistema, de uma "vontade" imposta pelo método, e não sujeito à minha inspiração subjetiva/divina. Gosto de fazer porque não é indulgente. Sistemas de pensamento são mais poderosos do que a estética...
2.3.05
Computer artist ou critica?
Dos corredores da arte contemporânea:
Eu sentada no computador do atelier do meu chefe, um pintor famoso no Rio de Janeiro. Entra o novo assistente da "cozinha" dele, e me pergunta:
"Isabel, você vai fazer mestrado?"
- Começo semana que vem no Fundão...
"Você vai estudar crítica de arte, né?
- Não, Linguagens Visuais, a linha do mestrado para artistas praticantes...
"Você não é artista, é?"
- Se vou fazer mestrado para artistas praticantes acho que isso me qualifica com artista que faz arte...
"Mas você não mexe com computador?"
- Sim. Eu e 2 bilhões de pessoas no mundo...
"Então você não é artista...."
- Não é artista quem NÃO mexe com o computador!!!
Foda. Pleno 2005, e ainda tenho que ouvir essas merdas....
Eu sentada no computador do atelier do meu chefe, um pintor famoso no Rio de Janeiro. Entra o novo assistente da "cozinha" dele, e me pergunta:
"Isabel, você vai fazer mestrado?"
- Começo semana que vem no Fundão...
"Você vai estudar crítica de arte, né?
- Não, Linguagens Visuais, a linha do mestrado para artistas praticantes...
"Você não é artista, é?"
- Se vou fazer mestrado para artistas praticantes acho que isso me qualifica com artista que faz arte...
"Mas você não mexe com computador?"
- Sim. Eu e 2 bilhões de pessoas no mundo...
"Então você não é artista...."
- Não é artista quem NÃO mexe com o computador!!!
Foda. Pleno 2005, e ainda tenho que ouvir essas merdas....
Never So Close, Never So Far...
Continuando o assunto sobre relacionamentos a longa distância e como a tecnologia torna-se um instrumento de proximidade, até mesmo no amor...Este casal de americanos, impossibilitados de viverem na mesma cidade, utilizam a tecnologia de PodCasting para manter-se em contato 24/7, sabendo tudo o que outro faz, onde está, o que pensa...Parece mundano, mas a asobrevivência do amor deste casal depende intrinsicamente da tecnologia móvel de áudio, vídeo, foto e texto...Não é lindo?
Conheço algumas pessoas que mantêm relacionamentos on-line, como minha amiga que conheceu o atual namorado turco pelo ICQ (saudades do ICQ!!) e hoje passa 3 meses do ano em Istambul, mas quando estão vivendo separados se comunicam por mensagens de texto pelo celular o dia todo, além do Skype (Voice over IP), MSN, etc...(sorry, não linko pro MSN porque é da Microsoft e sou partidária do software livre). Ela pensa em ter filhinhos e tudo o mais com o seu amor turco, e o cotidiano só é possível por causa da internet.
Viva o amor!!!
O site:
From the busy, lonely halls of post-Valentine's Day winter comes a project about 'two people in two places living together while apart.' 'IN Network' is a collaboration between bi-coastal conceptual sweethearts Michael Mandiberg (New York) and Julia Steinmetz (Los Angeles). Presently unable to live in the same city, they opt to occupy the same routines, which they synchronize and electronically relay to each other through sets of camera phones and microphones. Powered by a phone promotion that allows for unlimited airtime between clients who are 'in network,' Mandiberg and Steinmetz are in touch 24/7. During the month of March, Turbulence.org will host webcasts, podcasts (audio broadcasts distributed to hardware via software subscription), and a moblog (blog of mobile phone photography) to transmit to an online audience the constant correspondence that describes their fused existence: 'driving to/from work, eating dinner, giving lectures to students, going for walks, ! having cocktails, reading books in silence, falling asleep and waking up.' This sharing of lives, though consisting of the mediatized and mundane, is less entrenched in data and detritus than it is in the lives of, and new possibilities for being, people. - Kevin McGarry (Rhizome.org)
Acompanhe Michael e Julia em INNETWORK
Conheço algumas pessoas que mantêm relacionamentos on-line, como minha amiga que conheceu o atual namorado turco pelo ICQ (saudades do ICQ!!) e hoje passa 3 meses do ano em Istambul, mas quando estão vivendo separados se comunicam por mensagens de texto pelo celular o dia todo, além do Skype (Voice over IP), MSN, etc...(sorry, não linko pro MSN porque é da Microsoft e sou partidária do software livre). Ela pensa em ter filhinhos e tudo o mais com o seu amor turco, e o cotidiano só é possível por causa da internet.
Viva o amor!!!
O site:
From the busy, lonely halls of post-Valentine's Day winter comes a project about 'two people in two places living together while apart.' 'IN Network' is a collaboration between bi-coastal conceptual sweethearts Michael Mandiberg (New York) and Julia Steinmetz (Los Angeles). Presently unable to live in the same city, they opt to occupy the same routines, which they synchronize and electronically relay to each other through sets of camera phones and microphones. Powered by a phone promotion that allows for unlimited airtime between clients who are 'in network,' Mandiberg and Steinmetz are in touch 24/7. During the month of March, Turbulence.org will host webcasts, podcasts (audio broadcasts distributed to hardware via software subscription), and a moblog (blog of mobile phone photography) to transmit to an online audience the constant correspondence that describes their fused existence: 'driving to/from work, eating dinner, giving lectures to students, going for walks, ! having cocktails, reading books in silence, falling asleep and waking up.' This sharing of lives, though consisting of the mediatized and mundane, is less entrenched in data and detritus than it is in the lives of, and new possibilities for being, people. - Kevin McGarry (Rhizome.org)
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27.2.05
Segredos online
Um dos assuntos que mais me interessam nessa web maluca em que navegamos é a total anonimidade do autor. Você pode ser de qualquer cor, gênero e credo e tanto faz. O que vale é quem você diz que é e a informação que você introduz na rede. Porque se ater à verdade? Se você não gosta de si, cria uma persona na internet que representa o que você quer ser e ninguém vai te encher o saco. Mas vida de simulacro e simulação tem limite no nosso ser...Alguns sites e obras de arte online utilizam o aspecto confessional da web para mostrar a "verdade" escondida de cada um...sem identidade revelada você pode ser o mais autêntico que quiser ser, ou não. E quem se importa com a "verdade"? Os sites abaixo são deliciosos porque lidam exatamente com esse aspecto da "verdade" que nós seres humanos não conseguimos largar, e nem daquela prática cristã incômoda de "se confessar" como um modo de dividir o segredo com deus. Ou com um computador. Tanto faz...
Sugestões de projetos de arte online para aqueles que simplesmente não conseguem deixar de bisbilhotar na vida dos outros e também não conseguem manter segredos por muito tempo:
Grande sugestão de visita da maravilhosa DaniCast: POSTSECRET, projeto colaborativo onde pessoas mandam cartões postais com seus segredos ilustrados via correio para um endereço nos EUA e depois são postados nesse blog...E eu, que sou tarada por cartões postais que coleciono desde pequeninha e que compro em todos os sebos possíveis, obviamente me amarrei!!!
O site CONFESS permite que o usuário poste suas confissões.A cada confissão postada você tem direito a fazer uma resenha de uma outra confissão e assim "qualificar" e comentar a confissão de outro anônimo, para que "this little self destructive site keeps humming." É muito legal.
Sugestões de projetos de arte online para aqueles que simplesmente não conseguem deixar de bisbilhotar na vida dos outros e também não conseguem manter segredos por muito tempo:
Grande sugestão de visita da maravilhosa DaniCast: POSTSECRET, projeto colaborativo onde pessoas mandam cartões postais com seus segredos ilustrados via correio para um endereço nos EUA e depois são postados nesse blog...E eu, que sou tarada por cartões postais que coleciono desde pequeninha e que compro em todos os sebos possíveis, obviamente me amarrei!!!
O site CONFESS permite que o usuário poste suas confissões.A cada confissão postada você tem direito a fazer uma resenha de uma outra confissão e assim "qualificar" e comentar a confissão de outro anônimo, para que "this little self destructive site keeps humming." É muito legal.
18.2.05
Relacionamento online
Recebi o seguinte comentário do H. , em resposta à pergunta: até que ponto o relacionamento virtual pode ser um subsituto para um relacionamento real, de corpo?
H. comentou:
Não substitui. Posso garantir.
Conheci minha ex-namorada em um chat e namoramos por três meses, me apixonei perdidamente por sua inteligência e experiênica de vida; mas quando conversávamos via msn era terrível. Sempre brigávamos e era insuportável mais que 15 minutos de conversa online. Ao vivo nos dávamos muito bem, tanto que o namoro terminou por outros motivos extras, mas online posso lhe dizer que era broxante.
Queria saber se vocês tem alguma história para compartillhar. Me fascina essa capacidade afetiva da internet, tenho visto isso em muitos sites de namoro, que são o alvo da minha pesquisa comportamental e visual de agora. Me pergunto se o amor através dessa mídia é diferente por causa da mídia, se a facilidade tecnológica dita um certo tipo de comportamento antes impossível. Ao mesmo tempo fico analisando os romances epistolares escritos desde que o mundo é mundo e acho que as versões online e instantâneas são uma versão eletrônica desse gênero literário. Aliás, boa pergunta, as pessoas se relacionam online porque procuram uma camada literária e romântica em suas vidas? Acredito que o cérebro é o órgão sexual mais poderoso do ser humano, e o relacionamento online, impulsionado por palavras atinge o cérebro antes do corpo. Mas até que ponto não precisamos de sinestesia? Até que ponto a culpa é da tecnologia?
Acho que esse meio de relacionamento vistual é uma espécie de purgatório do ser, um limbo do amor. Quando é que vocês decidiram que era a hora de "encontrar" o outro? Será que era só um relacionamento construído de palavras? E quando as palavras não bastaram, o que vocês fizeram?
Querem dividir histórias de sucesso? de derrota?
H. comentou:
Não substitui. Posso garantir.
Conheci minha ex-namorada em um chat e namoramos por três meses, me apixonei perdidamente por sua inteligência e experiênica de vida; mas quando conversávamos via msn era terrível. Sempre brigávamos e era insuportável mais que 15 minutos de conversa online. Ao vivo nos dávamos muito bem, tanto que o namoro terminou por outros motivos extras, mas online posso lhe dizer que era broxante.
Queria saber se vocês tem alguma história para compartillhar. Me fascina essa capacidade afetiva da internet, tenho visto isso em muitos sites de namoro, que são o alvo da minha pesquisa comportamental e visual de agora. Me pergunto se o amor através dessa mídia é diferente por causa da mídia, se a facilidade tecnológica dita um certo tipo de comportamento antes impossível. Ao mesmo tempo fico analisando os romances epistolares escritos desde que o mundo é mundo e acho que as versões online e instantâneas são uma versão eletrônica desse gênero literário. Aliás, boa pergunta, as pessoas se relacionam online porque procuram uma camada literária e romântica em suas vidas? Acredito que o cérebro é o órgão sexual mais poderoso do ser humano, e o relacionamento online, impulsionado por palavras atinge o cérebro antes do corpo. Mas até que ponto não precisamos de sinestesia? Até que ponto a culpa é da tecnologia?
Acho que esse meio de relacionamento vistual é uma espécie de purgatório do ser, um limbo do amor. Quando é que vocês decidiram que era a hora de "encontrar" o outro? Será que era só um relacionamento construído de palavras? E quando as palavras não bastaram, o que vocês fizeram?
Querem dividir histórias de sucesso? de derrota?
14.2.05
Quem nao tem cao, cassa com vibrador movel
Ultimamente tenho feito um intensivão sobre relacionamentos online. Este assunto há muito tempo me fascina, e a cada dia vou mais fundo na minha pesquisa. Já sou cadastrada em 7 serviços de namoro online com 7 personas diferentes que variam da romântica à profissional em busca de amor à dominatrix impiedosa. É divertidíssimo. As cartas que me escrevem e as fotos que recebo são hilárias e incríveis -- tema para uma nova série de trabalhos de arte todos calcados em cima dessa "nova economia da libido". Se há um uso para a internet, além das pentelhações corporativas com que tenho que lidar no meu dia-a-dia profissional, é esse: internet é o melhor lugar para o amor.
Reparem como tudo online toma um tom amigável...pessoas que nunca te encontraram mas que religiosamente lêem seus blogs são tão afetuosos que parece que você os conhece desde pequenininhos. Amizades online sem cara sem cor nem credo são uma delícia porque não têm o embaraço do "momento". Você lê, posta no seu fotolog, comenta no blog do outro, cata um amigo distante por MSN. É tudo lindo. Pois no lado do amor, o cenário é feroz. Quem nunca ouviu falar de um amigo que encontrou o amor da sua vida online? Quem de vocês nunca viu ou buscou por um videozinho pornô? Quantas de vocês são "cam-girls" (estrelas pornô de webcam)? Quem de vocês não participa de clubinhos virtuais de sadô-masô, ou busca pelos seus fetiches mais insólitos na surdina do seu computador?
A economia da incompletude (incompletion) é gigantesca. Aqui somos todos voyeurs uns dos outros, mandando fotos pra lá, recebendo vídeos pra cá, e firme na masturbação. Depois...o vazio...Mas nem sempre é assim...Ouvi dizer de um amigo em Nova York, que a galera que trabalha (e que consequentemente não tem tempo pra nada) começa as preliminares online, marca o lugar de encontro quando a conversa começa a ficar apimentada, e meia hora depois já estão rolando na cama. Os círculos literários, ouvi dizer também, começam as intelectualidades via messenger e depois se encontram em cafés para fechar negócios ou continuar o papo-cabeça. Se terminam na cama ou não, aí já não sei.
É tudo muito romântico, como deve ser. A colunista Regina Lynn da Wired Magazine escreve regularmente sobre sexo e tecnologia. Foi lá que eu descobri que para se tornar uma cam-girl basta montar um site no My Adult Site e começar a faturar uma grana, pagável via PayPal. Ou então, para as garotas mais pudicas mas não menos sacanas pode-se obter um prazer enorme, e na surdina, com um telefone celular, o VibraFun, aliás, um aparelhinho que já vem testado com usabilidade e tudo. Esse vibrador-fone é como modess, fininho e não deixa mancha.
Mas será que dá pra substituir o corpo com essa tecnologia toda?
Reparem como tudo online toma um tom amigável...pessoas que nunca te encontraram mas que religiosamente lêem seus blogs são tão afetuosos que parece que você os conhece desde pequenininhos. Amizades online sem cara sem cor nem credo são uma delícia porque não têm o embaraço do "momento". Você lê, posta no seu fotolog, comenta no blog do outro, cata um amigo distante por MSN. É tudo lindo. Pois no lado do amor, o cenário é feroz. Quem nunca ouviu falar de um amigo que encontrou o amor da sua vida online? Quem de vocês nunca viu ou buscou por um videozinho pornô? Quantas de vocês são "cam-girls" (estrelas pornô de webcam)? Quem de vocês não participa de clubinhos virtuais de sadô-masô, ou busca pelos seus fetiches mais insólitos na surdina do seu computador?
A economia da incompletude (incompletion) é gigantesca. Aqui somos todos voyeurs uns dos outros, mandando fotos pra lá, recebendo vídeos pra cá, e firme na masturbação. Depois...o vazio...Mas nem sempre é assim...Ouvi dizer de um amigo em Nova York, que a galera que trabalha (e que consequentemente não tem tempo pra nada) começa as preliminares online, marca o lugar de encontro quando a conversa começa a ficar apimentada, e meia hora depois já estão rolando na cama. Os círculos literários, ouvi dizer também, começam as intelectualidades via messenger e depois se encontram em cafés para fechar negócios ou continuar o papo-cabeça. Se terminam na cama ou não, aí já não sei.
É tudo muito romântico, como deve ser. A colunista Regina Lynn da Wired Magazine escreve regularmente sobre sexo e tecnologia. Foi lá que eu descobri que para se tornar uma cam-girl basta montar um site no My Adult Site e começar a faturar uma grana, pagável via PayPal. Ou então, para as garotas mais pudicas mas não menos sacanas pode-se obter um prazer enorme, e na surdina, com um telefone celular, o VibraFun, aliás, um aparelhinho que já vem testado com usabilidade e tudo. Esse vibrador-fone é como modess, fininho e não deixa mancha.
Mas será que dá pra substituir o corpo com essa tecnologia toda?
10.2.05
30 anos, missoes de vida, arte e sobre ser um animal solitario ou nao
conversas com o meu querido amigo LLL. desculpem o inglês intermitente, mas sério, caguei.
Eu:...alex, para de ser morto-de-fome. se o cara te der uma grana, bota a mufa na literatura. menos distrações. eu largaria os frilas amanhã se eu não precisasse. Queria usar a web por motivos puramente artísticos. e só.
alex: Arte pura vicia, bel...é irreal...trust me: interacting with the humans, having them as clientes, etc, keeps us human in a way you wouldn't understand....engraçado como tem coisas que só saem em ingles, né?
eu: é.....a arte nunca é só pura. quero tempo pra pensar, pra divagar, pra me educar direito (a minha faculdade foi uma bosta nesse sentido). arte tem muita vida prática também, não é só viajar na maionese...
alex: é como dar aulas, controlar os teens...
eu: verdade. o mestrado é para eu poder dar aula... em qualquer lugar do mundo. só te dão um certo respeito com a porra do título "M.F.A.". não para expôr, mas se quiser seguir carreira acadêmica, até PhD tem que ter.
alex: ...eu tenho medo de que, se na fossem os clientes e as aulas, eu estaria tão apartado do mundo que já nao conseguiria funcionar...e aí com um mestrado e, quem sabe, doutorado, eu posso dar aulas de literatura anywhere in the world, ser realmente livre...
Eu: e comer muita mulherzinh!...pra mim, quanto mais apartado melhor. só assim eu posso retornar ao mundo. Tudo pra mim é dividido: meu amor, meu trabalho. em algum lugar eu tenho que estar inteira, e esse lugar é o trabalho, mas me conhecendo, faço sempre o que aparece, está na minha natureza de ser múltipla...
Alex: Você sabe porque o [Guimarães] Rosa não fez um segundo grande sertao? pq ele teve um mild heart attack enquanto escrevia o livro e ficou em pânico de não acabar depois, nunca mais tentou nada de envergadura, só contos...
Eu: Estava com medo de morrer?
alex: Pq tinha medo de morrer e deixar inacabado...Ele trabalhou dez anos em Grande Sertão Veredas...tinha medo de trabalhar 9 anos, morrer no nono, e desperdiçar seus ultimos 9 anos. Mas é self-defeating porque ele viveu 10 anos depois de GSV. O Verissimo vem tendo heart attacks há 20 anos e continua aí! o que quero dizer é, e vale pra nós dois....
eu: E por isso é foda. Eu falei na minha entrevista no fundão que não tinha pressa nenhuma para mandar trabalhos para galerias e o que mais importante para mim agora era explorar o máximo de possibilidade sem pressão de mercado. Porque queria garantir que teria trabalho por mais 50 anos.
alex : A idade de começar a empreender seus grandes projetos é justamente aos 30, quando ainda há tempo. A gente não sabe quanto tempo ainda vai ter...
Eu: É isso aí. i feel it coming. O mundo é tão complexo que aos 20 não dá tempo de apreender tudo.
Alex: ...a pressão não é do mercado...
Eu:Tem artistas por aí que estão estourando aos 25 anos. E daí? Prefiro ir devagar porque quando estourar vai ser uma explosão. Não tenho pressa de fama, tenho pressa de vida (e de algum dinheiro)...só dá pra publicar/expor quando a coisa está pronta. e a coisa pronta precisa de um tempo. eu acho que vc vai publicar o segundo romance. Vc vai me odiar por isso, mas acho o "Mulher de um Homem Só" o melhor trial run que você poderia ter.
alex: Não tem chance do meu romance não ser publicado...
eu: O que quero dizer é que o seu segundo romance será muito superior ao primeiro e assim por diante. É melhor começar com força total, com mais maturidade..
alex: Assim espero...
Eu: O que eu fico bolada é que em outros tempos passados, nós seríamos referências nos nossos campos aos 30. As grandes obras de literatura e arte foram feitas por garotada como a gente. Picasso revolucionou o olhar com o cubismo aos 22 anos!
alex: Só dá pra viver no agora...
eu: Claro. Eu queria tanto encontrar a minha grande questão. Mas não sei se estou olhando nos lugares certos. Estou infeliz também, não ajuda. Será que é melhor give up pra não sofrer depois. mas o que vou fazer? abrir uma loja de cosméticos? virar burocrata? as alternativas são péssimas, e não tem nada que eu goste mais do que arte. só não sei se sou boa. E provavelmente nunca irei saber....o artista está condenado a não saber se auto-avaliar direito. talvez seja isso que faça com que ele não pare de criar, só para se superar....não era a essa a dúvida de Cézanne? se tinha "conseguido"? morreu sem saber...
alex: Algumas das pessoas que você admira desisitiram? Did they face greater odds than you?
Eu: If they did i wouldn't admire them...
alex:Do you wanna be worthy of them or not?
Eu: I don't think i face any odds. i have all the dominant characteristics, i have nothing to strive for. Question is: do i care that much?
alex: That's up to you....Lembra a historia do eu daria a minha vida pra tocar assim?
eu: Não
alex;Começa com o artur moreira lima, (mas poderia ser picasso ou machado de assis) aí chega o chato, vê ele trabalhando e diz "puxa, eu daria a minha vida pra tocar/pintar/escrever assim", e o outro: " pois eu dei"
Eu: Bom, muito bom.
alex: But they cared, if they didn't they couldn't have pulled it off... jura que eu nunca te contei essa?
Eu: Juro.
Eu: Eu acho tudo muito overwhelming. Tem muita gente entrando na arte com pouca qualidade e eu fico puta quando alguém faz arte ruim, porque estraga essa coisa que eu gosto tanto...
alex: Eu já até postei essa história no blog
eu: Não lembro, sorry...mas também não sei qual seria a minha grande contribuição. tenho visto que arte ou literatura não pode ser só uma questão de expressão pessoal, tem que ser isso+consciência histórica+visão de futuro. Senão não vinga, não sobrevive o tempo...
alex: Nao aprende arte com marxista não, eles só falam merda. Puta, não acredito que tive que ouvir isso antes de dormir...de onde vem o dinheiro desses artistas revolucionários que moram na praia?
eu: Vendendo quadro pra forrar parede de gente rica, ué! ...só dá pra fazer pintura boa com tinta de qualidade.... e é por isso que eles são valorizados. Premium ideas made with premium materials. Mas tem arte feita com pedaço de pau que vale muito mais que uma tela qualquer, então foda-se a tinta importada... Internet é uma maneira de fazer arte realtivamente cost-free. Mas ainda acredito no "objeto" de arte. acho que arte é algo físico, por mais que o Duchamp & cia. digam que arte é apenas uma idéia. Mas mesmo o duchamp precisou de um objeto para mostrar isso. o mictorio é isso. Duchamp era na realidade um puta dandy. só isso. Dizem que meu trabalho é muito de agora. isso é bom e ruim: bom porque mostra que é algo novo. ruim porque não tem nada de eterno à primeira vista. Boa arte dialoga com os dois. é isso que impulsiona a criação....é tanto yadda yadda yadda pra coisas tão simples
alex: Don't fall into that yourself
Eu: o problema é que acho arte brasileira semi-ruim. Acho tudo cópia mas quando é original é ótimo, a melhor do mundo. mas as geracões subsequentes copiam os que deram certo. é o que acontece hoje com o hélio oiticia e lygia clark. tá tão embrenhado no subconsceinte da galera que é difícil soltar das referências....muleta...O que dificulta pra mim é que eu só conheci arte brasileira há 3 anos atrás, então eu não tenho essas influências tão fortes. E isso não me dá uma base de diálogo com o pensamento de cá, ou de lugar nenhum porque nem "lá" estou. Ao mesmo tempo não sou uma artista americana então fica estranho eu dialogar com os de lá. Mó limbão...
alex: You're lucky
eu: Outro dia fui numa mostra de vídeo-arte e eu fiquei com vergonha de tão ruim...
alex: Se vc ceder a tentação de se juntar a matilha será só mais uma...eu pergunto de novo: algumas das pessoas que vc admirava era só mais um em um grupelho, qualquer grupelho que fosse, ou eram pessoas que tinham coragem de andar sozinhas? Vc tem que decidir quem vc é... está ficando tarde pra isso
Eu: Eu sei , eu sei, e tá foda...
alex: Ou vc é uma da matilha e vai ficar hanging with them no mundinho deles, ou vc vai ser vc mesma e vai encarar todo o onus e possiveis recompensas...só nao se engane achando que membros de grupelhos conseguem ascender aos seus respectivos grupelhos. ... it simply doesn't happen....Once a pack animal, forever a pack animal
eu:: i'm not a pack animal, never was...
alex: so don't try to be one or don't commiserate because you're not one
eu: yeah, i'm between worlds again. o saco é que forever achar que eu sou uma patricinha.
alex: corta um talho na cara, arranca fora o nariz, maybe it's worth it
eu: você faria isso?
Eu: eu sei que eu tenho a lot going for me. ano passado durante uma viagem tive um rush de inspiração absurdo. fiquei vagando uma madrugada inteira por estocolmo fotografando. fiz a minha obra mais melancólica. mas depois voltei pra cá e estagnei...
alex: a vida é uma coisa muito engraçada mesmo... a gente passa a juventude inteira jogando sementes, bel
alex: Tem outra historinha...
Eu: Vc me ajuda por metáforas, bonitinho...
alex: Quando vc vir uma maquina dando centenas de marteladas numa pedra e, depois de mil, a pedra se desfaz, nao caia no erro de achar que foi a ULTIMA martelada that did the trick... uma coisa que o blog me ensinou é que, só por existirmos e estarmos fazendo nosso trabalho com sinceridade, estamos tocando a vida de muita gente...
eu: Qual é a mensagem da historia da maquinas mesmo?
alex: a mensagem é que quando a gente consegue alguma coisa, nao foi o nosso ultimo effort that did - foi a soma de todos os anteriores
eu: Passei os últimos 10 anos getting as many skills as possible, vendo o máximo que pude do mundo pra me preparar pra depois. porque acho que é a maneira lógica de viver. Por isso que eu aos quase-30 estou encarando as questões da arte só agora. maybe it's the right time for me... tudo foi para que eu chegasse nesse momento de ser forçada a ter uma direção. o lance é que eles vão me arrasar no mestrado...
alex:don't let them...don't graduate if you don't have to
eu: i will have to teach them to teach me...but then i don't get the degree
alex: What's more important? art or the fucking degree?...establish your priorities, porra, it's only up to you
eu: é , já passei da idade em que tinha que fazer todos os deveres, né? foda-se o que eles acharem.
alex: isabel, bota uma coisa na sua cabeça, read the biographies of people you admire, consider some of their tough choices, if you don't break with the needs and expectations of the establishment, you may earn a nice living, but you'll never amount to much
eu: Eu tenho um parâmetro, a Lygia Pape. A cada exposicão ela aparecia com um trabalho completamente diferente do anterior. Os criticos não levavam ela a sério e achavam que ela não tinha "foco". Até que um fodão, o Mario Pedrosa, falou pra parar de encher o saco dela e prestar atenção. Ela fez coisas lindas, mas ficou amarga no final. E fazia graphic design e dava aulas pra sobreviver. Ela dava aula no fundão. mas morreu antes que eu pudesse conhecê-la....ela era a unica louca que tinha lá. Um professor tem que ser um pouco alucinado porque a loucura de um contagia o todo (moby dick). Os que restaram não são loucos o suficiente e por isso são retrógrados ou resignados. Depois na tese eles hammer os alunos segundo conceitos de 1960...Nego surta ali dentro... Mas a solução é uma só: work work work
alex: Só vc pode decidir o que vc quer. O mais incrivel é que as pessoas tem de fato uma opção...tem mesmo... e a maioria escolhe a mediocridade
eu: ...o caminho mais fácil..like pack animals....longe disso!!!!!
Eu:...alex, para de ser morto-de-fome. se o cara te der uma grana, bota a mufa na literatura. menos distrações. eu largaria os frilas amanhã se eu não precisasse. Queria usar a web por motivos puramente artísticos. e só.
alex: Arte pura vicia, bel...é irreal...trust me: interacting with the humans, having them as clientes, etc, keeps us human in a way you wouldn't understand....engraçado como tem coisas que só saem em ingles, né?
eu: é.....a arte nunca é só pura. quero tempo pra pensar, pra divagar, pra me educar direito (a minha faculdade foi uma bosta nesse sentido). arte tem muita vida prática também, não é só viajar na maionese...
alex: é como dar aulas, controlar os teens...
eu: verdade. o mestrado é para eu poder dar aula... em qualquer lugar do mundo. só te dão um certo respeito com a porra do título "M.F.A.". não para expôr, mas se quiser seguir carreira acadêmica, até PhD tem que ter.
alex: ...eu tenho medo de que, se na fossem os clientes e as aulas, eu estaria tão apartado do mundo que já nao conseguiria funcionar...e aí com um mestrado e, quem sabe, doutorado, eu posso dar aulas de literatura anywhere in the world, ser realmente livre...
Eu: e comer muita mulherzinh!...pra mim, quanto mais apartado melhor. só assim eu posso retornar ao mundo. Tudo pra mim é dividido: meu amor, meu trabalho. em algum lugar eu tenho que estar inteira, e esse lugar é o trabalho, mas me conhecendo, faço sempre o que aparece, está na minha natureza de ser múltipla...
Alex: Você sabe porque o [Guimarães] Rosa não fez um segundo grande sertao? pq ele teve um mild heart attack enquanto escrevia o livro e ficou em pânico de não acabar depois, nunca mais tentou nada de envergadura, só contos...
Eu: Estava com medo de morrer?
alex: Pq tinha medo de morrer e deixar inacabado...Ele trabalhou dez anos em Grande Sertão Veredas...tinha medo de trabalhar 9 anos, morrer no nono, e desperdiçar seus ultimos 9 anos. Mas é self-defeating porque ele viveu 10 anos depois de GSV. O Verissimo vem tendo heart attacks há 20 anos e continua aí! o que quero dizer é, e vale pra nós dois....
eu: E por isso é foda. Eu falei na minha entrevista no fundão que não tinha pressa nenhuma para mandar trabalhos para galerias e o que mais importante para mim agora era explorar o máximo de possibilidade sem pressão de mercado. Porque queria garantir que teria trabalho por mais 50 anos.
alex : A idade de começar a empreender seus grandes projetos é justamente aos 30, quando ainda há tempo. A gente não sabe quanto tempo ainda vai ter...
Eu: É isso aí. i feel it coming. O mundo é tão complexo que aos 20 não dá tempo de apreender tudo.
Alex: ...a pressão não é do mercado...
Eu:Tem artistas por aí que estão estourando aos 25 anos. E daí? Prefiro ir devagar porque quando estourar vai ser uma explosão. Não tenho pressa de fama, tenho pressa de vida (e de algum dinheiro)...só dá pra publicar/expor quando a coisa está pronta. e a coisa pronta precisa de um tempo. eu acho que vc vai publicar o segundo romance. Vc vai me odiar por isso, mas acho o "Mulher de um Homem Só" o melhor trial run que você poderia ter.
alex: Não tem chance do meu romance não ser publicado...
eu: O que quero dizer é que o seu segundo romance será muito superior ao primeiro e assim por diante. É melhor começar com força total, com mais maturidade..
alex: Assim espero...
Eu: O que eu fico bolada é que em outros tempos passados, nós seríamos referências nos nossos campos aos 30. As grandes obras de literatura e arte foram feitas por garotada como a gente. Picasso revolucionou o olhar com o cubismo aos 22 anos!
alex: Só dá pra viver no agora...
eu: Claro. Eu queria tanto encontrar a minha grande questão. Mas não sei se estou olhando nos lugares certos. Estou infeliz também, não ajuda. Será que é melhor give up pra não sofrer depois. mas o que vou fazer? abrir uma loja de cosméticos? virar burocrata? as alternativas são péssimas, e não tem nada que eu goste mais do que arte. só não sei se sou boa. E provavelmente nunca irei saber....o artista está condenado a não saber se auto-avaliar direito. talvez seja isso que faça com que ele não pare de criar, só para se superar....não era a essa a dúvida de Cézanne? se tinha "conseguido"? morreu sem saber...
alex: Algumas das pessoas que você admira desisitiram? Did they face greater odds than you?
Eu: If they did i wouldn't admire them...
alex:Do you wanna be worthy of them or not?
Eu: I don't think i face any odds. i have all the dominant characteristics, i have nothing to strive for. Question is: do i care that much?
alex: That's up to you....Lembra a historia do eu daria a minha vida pra tocar assim?
eu: Não
alex;Começa com o artur moreira lima, (mas poderia ser picasso ou machado de assis) aí chega o chato, vê ele trabalhando e diz "puxa, eu daria a minha vida pra tocar/pintar/escrever assim", e o outro: " pois eu dei"
Eu: Bom, muito bom.
alex: But they cared, if they didn't they couldn't have pulled it off... jura que eu nunca te contei essa?
Eu: Juro.
Eu: Eu acho tudo muito overwhelming. Tem muita gente entrando na arte com pouca qualidade e eu fico puta quando alguém faz arte ruim, porque estraga essa coisa que eu gosto tanto...
alex: Eu já até postei essa história no blog
eu: Não lembro, sorry...mas também não sei qual seria a minha grande contribuição. tenho visto que arte ou literatura não pode ser só uma questão de expressão pessoal, tem que ser isso+consciência histórica+visão de futuro. Senão não vinga, não sobrevive o tempo...
alex: Nao aprende arte com marxista não, eles só falam merda. Puta, não acredito que tive que ouvir isso antes de dormir...de onde vem o dinheiro desses artistas revolucionários que moram na praia?
eu: Vendendo quadro pra forrar parede de gente rica, ué! ...só dá pra fazer pintura boa com tinta de qualidade.... e é por isso que eles são valorizados. Premium ideas made with premium materials. Mas tem arte feita com pedaço de pau que vale muito mais que uma tela qualquer, então foda-se a tinta importada... Internet é uma maneira de fazer arte realtivamente cost-free. Mas ainda acredito no "objeto" de arte. acho que arte é algo físico, por mais que o Duchamp & cia. digam que arte é apenas uma idéia. Mas mesmo o duchamp precisou de um objeto para mostrar isso. o mictorio é isso. Duchamp era na realidade um puta dandy. só isso. Dizem que meu trabalho é muito de agora. isso é bom e ruim: bom porque mostra que é algo novo. ruim porque não tem nada de eterno à primeira vista. Boa arte dialoga com os dois. é isso que impulsiona a criação....é tanto yadda yadda yadda pra coisas tão simples
alex: Don't fall into that yourself
Eu: o problema é que acho arte brasileira semi-ruim. Acho tudo cópia mas quando é original é ótimo, a melhor do mundo. mas as geracões subsequentes copiam os que deram certo. é o que acontece hoje com o hélio oiticia e lygia clark. tá tão embrenhado no subconsceinte da galera que é difícil soltar das referências....muleta...O que dificulta pra mim é que eu só conheci arte brasileira há 3 anos atrás, então eu não tenho essas influências tão fortes. E isso não me dá uma base de diálogo com o pensamento de cá, ou de lugar nenhum porque nem "lá" estou. Ao mesmo tempo não sou uma artista americana então fica estranho eu dialogar com os de lá. Mó limbão...
alex: You're lucky
eu: Outro dia fui numa mostra de vídeo-arte e eu fiquei com vergonha de tão ruim...
alex: Se vc ceder a tentação de se juntar a matilha será só mais uma...eu pergunto de novo: algumas das pessoas que vc admirava era só mais um em um grupelho, qualquer grupelho que fosse, ou eram pessoas que tinham coragem de andar sozinhas? Vc tem que decidir quem vc é... está ficando tarde pra isso
Eu: Eu sei , eu sei, e tá foda...
alex: Ou vc é uma da matilha e vai ficar hanging with them no mundinho deles, ou vc vai ser vc mesma e vai encarar todo o onus e possiveis recompensas...só nao se engane achando que membros de grupelhos conseguem ascender aos seus respectivos grupelhos. ... it simply doesn't happen....Once a pack animal, forever a pack animal
eu:: i'm not a pack animal, never was...
alex: so don't try to be one or don't commiserate because you're not one
eu: yeah, i'm between worlds again. o saco é que forever achar que eu sou uma patricinha.
alex: corta um talho na cara, arranca fora o nariz, maybe it's worth it
eu: você faria isso?
Eu: eu sei que eu tenho a lot going for me. ano passado durante uma viagem tive um rush de inspiração absurdo. fiquei vagando uma madrugada inteira por estocolmo fotografando. fiz a minha obra mais melancólica. mas depois voltei pra cá e estagnei...
alex: a vida é uma coisa muito engraçada mesmo... a gente passa a juventude inteira jogando sementes, bel
alex: Tem outra historinha...
Eu: Vc me ajuda por metáforas, bonitinho...
alex: Quando vc vir uma maquina dando centenas de marteladas numa pedra e, depois de mil, a pedra se desfaz, nao caia no erro de achar que foi a ULTIMA martelada that did the trick... uma coisa que o blog me ensinou é que, só por existirmos e estarmos fazendo nosso trabalho com sinceridade, estamos tocando a vida de muita gente...
eu: Qual é a mensagem da historia da maquinas mesmo?
alex: a mensagem é que quando a gente consegue alguma coisa, nao foi o nosso ultimo effort that did - foi a soma de todos os anteriores
eu: Passei os últimos 10 anos getting as many skills as possible, vendo o máximo que pude do mundo pra me preparar pra depois. porque acho que é a maneira lógica de viver. Por isso que eu aos quase-30 estou encarando as questões da arte só agora. maybe it's the right time for me... tudo foi para que eu chegasse nesse momento de ser forçada a ter uma direção. o lance é que eles vão me arrasar no mestrado...
alex:don't let them...don't graduate if you don't have to
eu: i will have to teach them to teach me...but then i don't get the degree
alex: What's more important? art or the fucking degree?...establish your priorities, porra, it's only up to you
eu: é , já passei da idade em que tinha que fazer todos os deveres, né? foda-se o que eles acharem.
alex: isabel, bota uma coisa na sua cabeça, read the biographies of people you admire, consider some of their tough choices, if you don't break with the needs and expectations of the establishment, you may earn a nice living, but you'll never amount to much
eu: Eu tenho um parâmetro, a Lygia Pape. A cada exposicão ela aparecia com um trabalho completamente diferente do anterior. Os criticos não levavam ela a sério e achavam que ela não tinha "foco". Até que um fodão, o Mario Pedrosa, falou pra parar de encher o saco dela e prestar atenção. Ela fez coisas lindas, mas ficou amarga no final. E fazia graphic design e dava aulas pra sobreviver. Ela dava aula no fundão. mas morreu antes que eu pudesse conhecê-la....ela era a unica louca que tinha lá. Um professor tem que ser um pouco alucinado porque a loucura de um contagia o todo (moby dick). Os que restaram não são loucos o suficiente e por isso são retrógrados ou resignados. Depois na tese eles hammer os alunos segundo conceitos de 1960...Nego surta ali dentro... Mas a solução é uma só: work work work
alex: Só vc pode decidir o que vc quer. O mais incrivel é que as pessoas tem de fato uma opção...tem mesmo... e a maioria escolhe a mediocridade
eu: ...o caminho mais fácil..like pack animals....longe disso!!!!!
4.2.05
Fodendo ou fazendo amor
Um professor de arte meu dizia o seguinte ao comentar os trabalhos de arte dos alunos:
"só você sabe quando está fodendo ou fazendo amor".
O que arte tem a ver com sexo? Eu estou aqui desenhando!
Não entendi no início, mas agora interpreto desta forma: Se você está sendo sincero e amando o que faz, estará fazendo amor sincero com aquilo, estará se dando inteiramente de corpo e alma. É como estar fazendo amor com o seu namorado/mulher/significant other e se deixar entregar, deixando a sua vontade à espreita e se concentrando no prazer proporcionado ao outro, do começo ao fim, sem pedir nada em troca. E ainda depois fuma aquele cigarrinho...
Dá pra ver quando um quadro é feito "fazendo amor": está cheio de desejo consumado. As pinceladas nervosas são como o ir e vir do coito, as grandes áreas de tinta ejaculações, as delicadezas são as carícias feitas no lugar certo, e por aí vai.
Agora quando você está "fodendo" ao fazer uma obra de arte, você está fundamentalmente cumprindo apenas uma obrigação ou uma vontade latente animal que vem de alguma repressão sexual da sua outra incarnação. É como se você estivesse deitando com o seu homem mas pensando em outro. Estar "fodendo" ao fazer arte é fazer arte por todos os motivos errados: por expurgo, por necessidade de auto-afirmação, por masturbação mental, porque está pensando em wittgenstein, porque sabe que o Jasper Johns foi mal genial que você e que você não passa de um copista farsante. Terminada a obra, e a gozada nem foi tão boa assim. Ou foi. Tem mulher que finge orgasmo, não tem?
A questão é: fazendo amor se chega mais longe. O artista, aliás, qualquer um, deve ter um caso de amor com a sua atividade. Morrer por ela, cantar aquelas músicas tristinhas de bossa nova para ela, dizer palavras doces, fazer chamego...só assim a atividade amada corresponderá. Fazer amor com o mundo então é sublime. E se não fosse o sublime, porque trabalhar? porque amar? porque se dar o trabalho de se dar o trabalho?
Mas tem um segredo, um que o mundo jamais saberá: só você sabe quando você está fodendo ou fazendo amor.
"só você sabe quando está fodendo ou fazendo amor".
O que arte tem a ver com sexo? Eu estou aqui desenhando!
Não entendi no início, mas agora interpreto desta forma: Se você está sendo sincero e amando o que faz, estará fazendo amor sincero com aquilo, estará se dando inteiramente de corpo e alma. É como estar fazendo amor com o seu namorado/mulher/significant other e se deixar entregar, deixando a sua vontade à espreita e se concentrando no prazer proporcionado ao outro, do começo ao fim, sem pedir nada em troca. E ainda depois fuma aquele cigarrinho...
Dá pra ver quando um quadro é feito "fazendo amor": está cheio de desejo consumado. As pinceladas nervosas são como o ir e vir do coito, as grandes áreas de tinta ejaculações, as delicadezas são as carícias feitas no lugar certo, e por aí vai.
Agora quando você está "fodendo" ao fazer uma obra de arte, você está fundamentalmente cumprindo apenas uma obrigação ou uma vontade latente animal que vem de alguma repressão sexual da sua outra incarnação. É como se você estivesse deitando com o seu homem mas pensando em outro. Estar "fodendo" ao fazer arte é fazer arte por todos os motivos errados: por expurgo, por necessidade de auto-afirmação, por masturbação mental, porque está pensando em wittgenstein, porque sabe que o Jasper Johns foi mal genial que você e que você não passa de um copista farsante. Terminada a obra, e a gozada nem foi tão boa assim. Ou foi. Tem mulher que finge orgasmo, não tem?
A questão é: fazendo amor se chega mais longe. O artista, aliás, qualquer um, deve ter um caso de amor com a sua atividade. Morrer por ela, cantar aquelas músicas tristinhas de bossa nova para ela, dizer palavras doces, fazer chamego...só assim a atividade amada corresponderá. Fazer amor com o mundo então é sublime. E se não fosse o sublime, porque trabalhar? porque amar? porque se dar o trabalho de se dar o trabalho?
Mas tem um segredo, um que o mundo jamais saberá: só você sabe quando você está fodendo ou fazendo amor.
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