30.5.04
Artigo do Jabor
Alguém, assinante do Estadão, poderia conseguir o artigo do Arnaldo Jabor chamado "Nem Cinismo: Tédio"? Agradeceria muito....
Susan Sontag
Há algum tempo venho lendo uma autora fantástica, Susan Sontag, e seus textos sobre fotografia e cultura contemporânea. Susan Sontag não se utiliza de filosofias francesas ou alemãs para sustentar suas teorias sobre o papel da fotografia na nossa era, mas o faz com confiança absoluta em suas observações e em uma prosa legível, ao contrário de muitos textos sobre arte.
No seu livro mais recente "On the Pain of Others", ou "A Dor dos Outros", revela uma profunda reflexão do cruzamento entre a arte fotojornalística e o nosso entendimento diante da narração visual de guerras e desastres na nossa era. Ela traz uma opinião fresca e bons argumentos sobre como imagens podem inspirar discórdia, incentivar a violência ou criar apatia através da descrição da longa história da representação da dor dos outros. Não sem coincidência, a capa do livro traz uma gravura de Goya, que, em suas gravuras dos "Caprichos" retrata todas as crueldades humanas, sendo a violência, a mais forte delas. Um dos melhores livros que li ultimamente.
O que ela faz essencialmente é estudar o aspecto de memória coletiva de acordo com as imagens que hoje definem a nossa percepção dos fatos mais cruéis da humanidade, através da fotografia.
Quando vi as fotos de Abu-Ghraib pela primeira vez, me perguntei sobre o que Susan Sontag diria sobre essas fotos e como elas mudam, definitivamente, a nossa percepção dos ocorridos de guerra, mas mais importante do que isso, uma análise do contexto em que foram tiradas e porque. Minha sogra volta de uma viagem a NY e me traz de presente uma edição do New York Times Magazine com um artigo dela, sobre exatamente este tema. Eu sei que é longo, mas vale a pena ler.
Um trecho de "Photographs are US:
For a long time- at least six decades - photographs have laid down the tracks of how important conflicts are judged and remembered. The memory museum is now mostly a visual one. Photographs have an insuperable power to determine what we recall of events, and it now seems likely that the defining association of people everywhere with the rotten war that the United States launched preemptively in Iraq last year will be photographs of the torture of Iraqi prisoners in the most infamous of Saddam Hussein's prisons, Abu Ghraib.
The Bush administration and its defenders have chiefly sought to limit a public relations disaster - the dissemination of the photographs - rather than deal with the complex crimes of leadership and of policy revealed by the pictures. There was, first of all, the displacement of the reality onto the photographs themselves. The administration's initial response was to say that the president was shocked and disgusted by the photographs - as if the fault or horror lay in the images, not in what they depict. There was also the avoidance of the word torture. The prisoners had possibly been the objects of "abuse," eventually of "humiliation" - that was the most to be admitted. "My impression is that what has been charged thus far is abuse, which I believe technically is different from torture," Secretary of Defense Donald Rumsfeld said at a press conference. "And therefore I'm not going to address the torture word." Words alter, words add, words subtract. It was the strenuous avoidance of the word "genocide" while the more than 800,000 Tutsis in Rwanda were being slaughtered, over a few weeks' time, by their Hutu neighbors ten years ago that indicated the American government had no intention of doing anything. To refuse to call torture what took place in Abu Ghraib - and in other prisons in Iraq and in Afghanistan, and in "Camp X-ray" in Guant¿namo Bay - is as outrageous as the refusal to call what happened in Rwanda a genocide. (...)
Divirtam-se...
Leiam o artigo todo.
No seu livro mais recente "On the Pain of Others", ou "A Dor dos Outros", revela uma profunda reflexão do cruzamento entre a arte fotojornalística e o nosso entendimento diante da narração visual de guerras e desastres na nossa era. Ela traz uma opinião fresca e bons argumentos sobre como imagens podem inspirar discórdia, incentivar a violência ou criar apatia através da descrição da longa história da representação da dor dos outros. Não sem coincidência, a capa do livro traz uma gravura de Goya, que, em suas gravuras dos "Caprichos" retrata todas as crueldades humanas, sendo a violência, a mais forte delas. Um dos melhores livros que li ultimamente.
O que ela faz essencialmente é estudar o aspecto de memória coletiva de acordo com as imagens que hoje definem a nossa percepção dos fatos mais cruéis da humanidade, através da fotografia.
Quando vi as fotos de Abu-Ghraib pela primeira vez, me perguntei sobre o que Susan Sontag diria sobre essas fotos e como elas mudam, definitivamente, a nossa percepção dos ocorridos de guerra, mas mais importante do que isso, uma análise do contexto em que foram tiradas e porque. Minha sogra volta de uma viagem a NY e me traz de presente uma edição do New York Times Magazine com um artigo dela, sobre exatamente este tema. Eu sei que é longo, mas vale a pena ler.
Um trecho de "Photographs are US:
For a long time- at least six decades - photographs have laid down the tracks of how important conflicts are judged and remembered. The memory museum is now mostly a visual one. Photographs have an insuperable power to determine what we recall of events, and it now seems likely that the defining association of people everywhere with the rotten war that the United States launched preemptively in Iraq last year will be photographs of the torture of Iraqi prisoners in the most infamous of Saddam Hussein's prisons, Abu Ghraib.
The Bush administration and its defenders have chiefly sought to limit a public relations disaster - the dissemination of the photographs - rather than deal with the complex crimes of leadership and of policy revealed by the pictures. There was, first of all, the displacement of the reality onto the photographs themselves. The administration's initial response was to say that the president was shocked and disgusted by the photographs - as if the fault or horror lay in the images, not in what they depict. There was also the avoidance of the word torture. The prisoners had possibly been the objects of "abuse," eventually of "humiliation" - that was the most to be admitted. "My impression is that what has been charged thus far is abuse, which I believe technically is different from torture," Secretary of Defense Donald Rumsfeld said at a press conference. "And therefore I'm not going to address the torture word." Words alter, words add, words subtract. It was the strenuous avoidance of the word "genocide" while the more than 800,000 Tutsis in Rwanda were being slaughtered, over a few weeks' time, by their Hutu neighbors ten years ago that indicated the American government had no intention of doing anything. To refuse to call torture what took place in Abu Ghraib - and in other prisons in Iraq and in Afghanistan, and in "Camp X-ray" in Guant¿namo Bay - is as outrageous as the refusal to call what happened in Rwanda a genocide. (...)
Divirtam-se...
Leiam o artigo todo.
28.5.04
É tudo farinha do mesmo saco (?)
Uma das coisas que me irritam em algumas curadorias internacionais é que sempre existe aquele rótulo "Latin-American Art". Isso basicamente comprime um continente inteiro, da Baja California à Patagônia, sob um único rótulo, como se fôssemos uma massa uniforme de artistas produzindo arte regional, tudo farinha de milho do mesmo saco. ou de mandioca. sei lá.
Como brasileira tenho tanto em comum com um boliviano quanto com um malaio. Só porque vivemos na mesma placa tectônica (o boliviano e eu) não significa que vemos o mundo da mesma forma. Mas para um norte-americano, qual a diferença faz o Brasil ou a Bolívia, é tudo com B mesmo e lá não falam inglês direito, fora isso são pobres e têm governos instáveis.
Um livro de arte americano chamado ArtToday dividido em vários capítulos temáticos, começa por temas muito específicos como "New York Style", "California Painters", "Young British Sculpture", "Land Art", deixando as artes de "gueto" lá pro final, quase como uma curiosidade. Nesse balaio está a "Feminist Art", a "Minority Art", a "Native Art" e é claro a "Latin American Art". Quer dizer, quando o assunto é primeiro mundo é tudo detalhado, específico. Passou para debaixo do equador ou para as "minorias", começam as generalizações, como se fôssemos padronizados, sem identidade, produzindo uma única arte baseada nas nossas mazelas de opressão oriundas de ditaduras. "Ah esses latino-americanos com suas ditaduras não têm voz própria, só nós os nova-iorquinos fazemos algo de realmente novo." O que consta no texto do autor é o "surgimento" da arte não-ocidental e das minorias no panorama da arte mundial. Ele está se referindo especificamente ao sistema de arte global comandado por quem tem mais dinheiro.
Ainda existe quem pense assim. Mas graças ao deus da arte contemporânea, há cabeças mais modernas e abertas que pensam diferente. Na Documenta de Kassel, por exemplo, evento de arte que ocorre a cada 5 anos, eles tomam o maior cuidado para não rotular artistas de acordo com sua nacionalidade, mas com suas linguagens visuais, com a preocupação de obter coerência com o total da obra e assim refletir tendências das artes plásticas mundo afora. Alguém está em sintonia no hemisfério Norte, está comprovado, mas vale ressaltar que a curadoria da Documenta é mixta, e inclui latino-americanos, além do curador-geral ser indiano. Menos mal, mas é exceção. Só nos últimos 5 anos a arte contemporânea brasileira têm ganho representatividade nas galerias lá do Norte. Finalment reconheceram que há qualidade aqui, e muito mais frescor do que as questões enfadonhas e batidas da arte européia e americana. A revolução do olhar agora mora aqui.
Outro dia, também, recebi um comentário assim: "Isabel, a sua arte não é brasileira..." Fiquei perplexa diante desse comentário, ouvi calada, depois fiquei pensando. O que quer dizer "arte brasileira"? Não faz mais de 80 anos, o Brasil era uma sucursal dos cânones artísticos europeus. A arte dita "brasileira" era quase inteiramente produzida por europeus imigrados ou convidados em missões artísticas, emulando um estilo completamente continental, com pouca ou nenhuma influência da arte indígena, ou a preocupação com a criação da identidade artística local. Foi só em 22 que começaram a pipocar os movimentos antropofágicos, os Abaporus, as sinfonias de Villa-Lobos. Depois disso os concretos romperam com as referências tropicais, querendo dizer ao mundo, "nós aqui também pensamos intelectualmente e abstratamente a arte", depois os neo-concretos vieram suavizar essa posição. Depois, a influência da Pop Art americana influenciou a Nova Objetividade, a repressão fomentou uma vertente política forte, e com o estímulo da loucura toda das instalações e de grupos como Fluxus e das performances chegamos a uma arte verdadeiramente global, a nossa com tempero baiano.
Nasci em 1975, em plena era de arte conceitual e minimalista, da explosão da Land Art e das instalações, do furor das performances e do unanimidade neo-concreta. Nos anos 80 a coisa virou um pouco mais para a pintura, mas já nos 90, quando comecei a estudar arte, a coisa já tinha se tornado multi-disciplinar e experimental de novo. Os anos 90 nos trouxeram as telecomunicação celular, a Internet e todos os processos eletrônicos/numéricos de produção de imagens, que estão disponíveis no mundo todo, para artistas do mundo todo. Todos assistimos os mesmos filmes, os mesmos canais na Tv a cabo, vestimos as mesmas roupas, participamos das mesmas guerras e compartilhamos a mesma informação. Eu vivo e sou ativa nesse último turbilhão. É uma libertação não mais ter que nos preocupar em pensar se somos tropicalistas com pinturas ensolaradas ou determinar que há razão nos trópicos além dos tucanos e papagaios. O discurso é muito mais sobre como transpôr fronteiras virtuais ou reais, e como manter qualquer tipo de singularidade diante dessa massificação/achatamento cultural em escala global, entre outras questões.
Então, o que significa "arte brasileira" ou ser brasileiro hoje? Sim, temos bons e jovens artistas expondo mundo afora, mas será que a importância deles é só porque são brasileiros ou porque têm trabalho fresco e inusitado? Porque teria eu que ser Concreta quando isso me precede em 2 gerações? Porque tenho que fazer referências a movimentos que não vivi só para ter uma identificação com o contexto local? Como Greenberg falava, cada movimento na arte vem resolver as questões deixadas em aberto pela geração anterior. Correto, o diálogo com o passado é fundamental, pois a arte não só usca a essência do artista mas também a essência da própria arte. Por outro lado, os artistas de outras eras, medievais, renascentistas respondiam também a questões do presente, e por essa razão a arte é um excelente instrumento para entender o pensamento de cada época. Hoje, o mundo se mostra tão pequeno e tão grande, os problemas da política mundial tão graves, a internet tão cheia de possibilidades. E essa é a minha experiência. Só posso ter um compromisso verdadeiro é com a minha experiência, e a minha experiência é do tempo que estou vivendo agora. Arte é uma mistura de essência e experiência, impregnação e intuição, reverência aos mestres e crença na invencão futura. Mas, voltando a esse meu amigo, a arte não tem nada a ver com patriotismo.
Só posso dizer uma coisa: vou mandar essa pessoa que me falou isso praquele lugar. Pra bem longe do Brasil.
Como brasileira tenho tanto em comum com um boliviano quanto com um malaio. Só porque vivemos na mesma placa tectônica (o boliviano e eu) não significa que vemos o mundo da mesma forma. Mas para um norte-americano, qual a diferença faz o Brasil ou a Bolívia, é tudo com B mesmo e lá não falam inglês direito, fora isso são pobres e têm governos instáveis.
Um livro de arte americano chamado ArtToday dividido em vários capítulos temáticos, começa por temas muito específicos como "New York Style", "California Painters", "Young British Sculpture", "Land Art", deixando as artes de "gueto" lá pro final, quase como uma curiosidade. Nesse balaio está a "Feminist Art", a "Minority Art", a "Native Art" e é claro a "Latin American Art". Quer dizer, quando o assunto é primeiro mundo é tudo detalhado, específico. Passou para debaixo do equador ou para as "minorias", começam as generalizações, como se fôssemos padronizados, sem identidade, produzindo uma única arte baseada nas nossas mazelas de opressão oriundas de ditaduras. "Ah esses latino-americanos com suas ditaduras não têm voz própria, só nós os nova-iorquinos fazemos algo de realmente novo." O que consta no texto do autor é o "surgimento" da arte não-ocidental e das minorias no panorama da arte mundial. Ele está se referindo especificamente ao sistema de arte global comandado por quem tem mais dinheiro.
Ainda existe quem pense assim. Mas graças ao deus da arte contemporânea, há cabeças mais modernas e abertas que pensam diferente. Na Documenta de Kassel, por exemplo, evento de arte que ocorre a cada 5 anos, eles tomam o maior cuidado para não rotular artistas de acordo com sua nacionalidade, mas com suas linguagens visuais, com a preocupação de obter coerência com o total da obra e assim refletir tendências das artes plásticas mundo afora. Alguém está em sintonia no hemisfério Norte, está comprovado, mas vale ressaltar que a curadoria da Documenta é mixta, e inclui latino-americanos, além do curador-geral ser indiano. Menos mal, mas é exceção. Só nos últimos 5 anos a arte contemporânea brasileira têm ganho representatividade nas galerias lá do Norte. Finalment reconheceram que há qualidade aqui, e muito mais frescor do que as questões enfadonhas e batidas da arte européia e americana. A revolução do olhar agora mora aqui.
Outro dia, também, recebi um comentário assim: "Isabel, a sua arte não é brasileira..." Fiquei perplexa diante desse comentário, ouvi calada, depois fiquei pensando. O que quer dizer "arte brasileira"? Não faz mais de 80 anos, o Brasil era uma sucursal dos cânones artísticos europeus. A arte dita "brasileira" era quase inteiramente produzida por europeus imigrados ou convidados em missões artísticas, emulando um estilo completamente continental, com pouca ou nenhuma influência da arte indígena, ou a preocupação com a criação da identidade artística local. Foi só em 22 que começaram a pipocar os movimentos antropofágicos, os Abaporus, as sinfonias de Villa-Lobos. Depois disso os concretos romperam com as referências tropicais, querendo dizer ao mundo, "nós aqui também pensamos intelectualmente e abstratamente a arte", depois os neo-concretos vieram suavizar essa posição. Depois, a influência da Pop Art americana influenciou a Nova Objetividade, a repressão fomentou uma vertente política forte, e com o estímulo da loucura toda das instalações e de grupos como Fluxus e das performances chegamos a uma arte verdadeiramente global, a nossa com tempero baiano.
Nasci em 1975, em plena era de arte conceitual e minimalista, da explosão da Land Art e das instalações, do furor das performances e do unanimidade neo-concreta. Nos anos 80 a coisa virou um pouco mais para a pintura, mas já nos 90, quando comecei a estudar arte, a coisa já tinha se tornado multi-disciplinar e experimental de novo. Os anos 90 nos trouxeram as telecomunicação celular, a Internet e todos os processos eletrônicos/numéricos de produção de imagens, que estão disponíveis no mundo todo, para artistas do mundo todo. Todos assistimos os mesmos filmes, os mesmos canais na Tv a cabo, vestimos as mesmas roupas, participamos das mesmas guerras e compartilhamos a mesma informação. Eu vivo e sou ativa nesse último turbilhão. É uma libertação não mais ter que nos preocupar em pensar se somos tropicalistas com pinturas ensolaradas ou determinar que há razão nos trópicos além dos tucanos e papagaios. O discurso é muito mais sobre como transpôr fronteiras virtuais ou reais, e como manter qualquer tipo de singularidade diante dessa massificação/achatamento cultural em escala global, entre outras questões.
Então, o que significa "arte brasileira" ou ser brasileiro hoje? Sim, temos bons e jovens artistas expondo mundo afora, mas será que a importância deles é só porque são brasileiros ou porque têm trabalho fresco e inusitado? Porque teria eu que ser Concreta quando isso me precede em 2 gerações? Porque tenho que fazer referências a movimentos que não vivi só para ter uma identificação com o contexto local? Como Greenberg falava, cada movimento na arte vem resolver as questões deixadas em aberto pela geração anterior. Correto, o diálogo com o passado é fundamental, pois a arte não só usca a essência do artista mas também a essência da própria arte. Por outro lado, os artistas de outras eras, medievais, renascentistas respondiam também a questões do presente, e por essa razão a arte é um excelente instrumento para entender o pensamento de cada época. Hoje, o mundo se mostra tão pequeno e tão grande, os problemas da política mundial tão graves, a internet tão cheia de possibilidades. E essa é a minha experiência. Só posso ter um compromisso verdadeiro é com a minha experiência, e a minha experiência é do tempo que estou vivendo agora. Arte é uma mistura de essência e experiência, impregnação e intuição, reverência aos mestres e crença na invencão futura. Mas, voltando a esse meu amigo, a arte não tem nada a ver com patriotismo.
Só posso dizer uma coisa: vou mandar essa pessoa que me falou isso praquele lugar. Pra bem longe do Brasil.
27.5.04
Código Michelangelo
Hoje, durante uma excursão ao Centro do Rio, folheei o Código Michelangelo, que mencionei no post d anteontem. Bem, o livro é lindo, é sempre incrível ver Michelangelo, mas achei a tese toda um pouco cheia de suposições demais. Da maneira que escreveram o livro, eles mostram exatamente o que parece com o quê, mas algumas coisas realmente não são vistas a olho nu, custa para ter a mesma visão do tal médico, que viu o canal da uretra e o rim na perna do profeta Zacarias. Aliás, só um médico mesmo para ver certos detalhes... Mas o livro é interessante, talvez um pouco subjetivo, mas o que em arte não é?
Não à arte como decoração
O que eu penso sobre a arte o Singrando pensa sobre a música. Ele diz que música não é acessório, não é decoração, não é cenário para sala de espera, e traça um paralelo: "Existem pessoas que ao comprar um quadro, perguntam "Não tem com tons laraja, para combinar com meu sofá?".. Pois é, esta é a dura realidade. Às vezes, pra sobreviver, temos que vender o tal quadro en tons laranja. Pode até ser uma fotografia pornográfica, uma cena de tortura, ou pistilos de orquídeas, desde que sejam em tons de laranja.
O artista às vezes não tem moral. Prefere pintar um quadro pra combinar com o sofá de oncinha a passar fome.
O artista às vezes não tem moral. Prefere pintar um quadro pra combinar com o sofá de oncinha a passar fome.
26.5.04
Buscando ética
A melhor parte das estatísticas do acesso deste blog são as buscas que as pessoas fazem na internet e acabam caindo aqui. Eu sempre acesso os keywords que as pessoas digitam para ver o que aparece.
Tem gente que já buscou por "desenho de papagaio" e caiu aqui, mas hoje passou um novo leitor por aqui procurando por "ética na arte contemporânea".
Quem busca por "ética na arte contemporânea" no Google espera encontrar o que exatamente? Um tratado póstumo de Spinoza? Ou melhor dizendo, quem procura por "ética na arte contemporânea" espera encontrar alguma ética na arte contemporânea? Espera encontrar alguma ética no meu blog? Ou na minha arte?
Adoro quando o Google é confundido com um orágooglo, oops, oráculo.
Tem gente que já buscou por "desenho de papagaio" e caiu aqui, mas hoje passou um novo leitor por aqui procurando por "ética na arte contemporânea".
Quem busca por "ética na arte contemporânea" no Google espera encontrar o que exatamente? Um tratado póstumo de Spinoza? Ou melhor dizendo, quem procura por "ética na arte contemporânea" espera encontrar alguma ética na arte contemporânea? Espera encontrar alguma ética no meu blog? Ou na minha arte?
Adoro quando o Google é confundido com um orágooglo, oops, oráculo.
24.5.04
Redundâncias e Coincidências (ii) - Michelangelo e a aula de anatomia
Li na Época desta semana uma matéria muito intrigante, O Código Michelangelo sobre um médico que encontrou inúmeras referências à anatomia "escondidas" nas composições dos afrescos da Capela Sistina, de Michelangelo.
"A semelhança entre o corte do crânio e a cena da Criação do Mundo já tinha sido estudada, mas não a linguagem do olhar dos anjos..."
A ligação da arte com a medicina sempre foi muito estreita. Um médico e um artista têm em comum uma acuidade de observação e de pensamento abstrato, pois da mesma forma em que um médico precisa saber visualizar a estrutura de células invisíveis a olho nu, um artista precisa de um olhar atento para traduzir o que vê e o que imagina em termos plásticos. É sabido que os grandes pintores da renascença dissecavam corpos afim de saber desenhar a figura humana com mais precisão, mais anatomicamente. O interessante desse estudo é que este médico, e outros antes dele, encontraram similaridades não só em como os corpos eram desenhados, mas em como algumas estruturas ósseas e orgânicas refletem na composição de um afresco de Michelangelo, com bastante precisão.
No afresco A Criação de Eva, ocultam-se um segmento da árvore brônquica (no detalhe) e a peça anatômica do pulmão esquerdo, fielmente reproduzida no manto.
Trecho do artigo:
..."Ao dissecar um cadáver e deparar com um corte de arco aórtico idêntico ao que vira na Sistina - inclusive com as artérias coronárias esquerda e direita -, imaginou que Michelangelo houvesse usado a peça anatômica como evocação figurativa. Afinal, os renascentistas eram fascinados pela anatomia humana e brincavam com as formas. Gilson concluiu a especialização em cirurgia de cabeça e pescoço. Nesse ínterim, colecionou livros sobre Michelangelo. Em 1990, leu um artigo sobre a descoberta do médico americano Frank Meshberger. Ele demonstrava que, na cena central da Sistina, a famosa A Criação de Adão, o manto de Deus representava um corte sagital do crânio e o cérebro nele contido. No hospital em que trabalha, em Campinas, Gilson passou a usar o afresco para ilustrar suas aulas de cirurgia. Em 2001, o médico leu outro artigo, do nefrologista americano Garabed Eknoyan, o qual demonstrava que Michelangelo pintara um fígado no manto de Deus no painel A Criação de Eva....
Leia mais em O Código Michelangelo
"A semelhança entre o corte do crânio e a cena da Criação do Mundo já tinha sido estudada, mas não a linguagem do olhar dos anjos..."
A ligação da arte com a medicina sempre foi muito estreita. Um médico e um artista têm em comum uma acuidade de observação e de pensamento abstrato, pois da mesma forma em que um médico precisa saber visualizar a estrutura de células invisíveis a olho nu, um artista precisa de um olhar atento para traduzir o que vê e o que imagina em termos plásticos. É sabido que os grandes pintores da renascença dissecavam corpos afim de saber desenhar a figura humana com mais precisão, mais anatomicamente. O interessante desse estudo é que este médico, e outros antes dele, encontraram similaridades não só em como os corpos eram desenhados, mas em como algumas estruturas ósseas e orgânicas refletem na composição de um afresco de Michelangelo, com bastante precisão.
No afresco A Criação de Eva, ocultam-se um segmento da árvore brônquica (no detalhe) e a peça anatômica do pulmão esquerdo, fielmente reproduzida no manto.
Trecho do artigo:
..."Ao dissecar um cadáver e deparar com um corte de arco aórtico idêntico ao que vira na Sistina - inclusive com as artérias coronárias esquerda e direita -, imaginou que Michelangelo houvesse usado a peça anatômica como evocação figurativa. Afinal, os renascentistas eram fascinados pela anatomia humana e brincavam com as formas. Gilson concluiu a especialização em cirurgia de cabeça e pescoço. Nesse ínterim, colecionou livros sobre Michelangelo. Em 1990, leu um artigo sobre a descoberta do médico americano Frank Meshberger. Ele demonstrava que, na cena central da Sistina, a famosa A Criação de Adão, o manto de Deus representava um corte sagital do crânio e o cérebro nele contido. No hospital em que trabalha, em Campinas, Gilson passou a usar o afresco para ilustrar suas aulas de cirurgia. Em 2001, o médico leu outro artigo, do nefrologista americano Garabed Eknoyan, o qual demonstrava que Michelangelo pintara um fígado no manto de Deus no painel A Criação de Eva....
Leia mais em O Código Michelangelo
Redundâncias e coincidências (I) - Goya e o Iraque
Sempre achei a história meio burra, repetitiva. O homem não aprende nada nunca, sempre faz a mesma merda. Mas é justamente essa qualidade ultra-humana que nos dá as maiores coincidências, algumas totalmente indesejadas.
Autor desconhecido, As torturas de Abu-Ghraib, 2004
Francisco de Goya, The shooting of May 3rd,1808, 1814
Goya era um atento observador das situações humanas, e das des-humanas também. Esse quadro representa uma das melhores pinturas de guerra jamais feitas. Reparem na mesma paleta de cores nas 2 imagens, na tensão das diagonais, tema, posicionamento da vítima quase idêntico e de quem é o único rosto que se vê. É também o único personagem de frente pois os algozes estão escondidos pelas suas costas e pelos seus rifles, como se não tivessem rosto nem particularidade. Este não são retratos de um torturado, são retratos de uma guerra.
Autor desconhecido, As torturas de Abu-Ghraib, 2004
Francisco de Goya, The shooting of May 3rd,1808, 1814
Goya era um atento observador das situações humanas, e das des-humanas também. Esse quadro representa uma das melhores pinturas de guerra jamais feitas. Reparem na mesma paleta de cores nas 2 imagens, na tensão das diagonais, tema, posicionamento da vítima quase idêntico e de quem é o único rosto que se vê. É também o único personagem de frente pois os algozes estão escondidos pelas suas costas e pelos seus rifles, como se não tivessem rosto nem particularidade. Este não são retratos de um torturado, são retratos de uma guerra.
The art of waiting
Texto excelente encontrado no London Mark, sobre a arte da espera;
The art of waiting
"I have no idea how much time the average human adult spends waiting for things, but I am prepared to wager a small amount that it is a substantial part of his/her life. In any given interaction between two or more people which requires them to be in a specific place at a specific time, waiting will form a key part. At the tube station, in the coffee shop, outside the cinema – even behind the bike sheds when you were younger – there is always waiting.
The first thing to remember about waiting is that it is invariably someone else's fault. You wouldn't be waiting if they had decided to stop being useless, selfish, time-wasting morons who don't really deserve to be going to the concert/film/play/meal with you in the first place. Also, they are sufficiently annoying that they are keeping you waiting. As any fool can see, you are the person who should be keeping them waiting. We hold this to be self-evident."
Does this look anything like it?
The art of waiting
"I have no idea how much time the average human adult spends waiting for things, but I am prepared to wager a small amount that it is a substantial part of his/her life. In any given interaction between two or more people which requires them to be in a specific place at a specific time, waiting will form a key part. At the tube station, in the coffee shop, outside the cinema – even behind the bike sheds when you were younger – there is always waiting.
The first thing to remember about waiting is that it is invariably someone else's fault. You wouldn't be waiting if they had decided to stop being useless, selfish, time-wasting morons who don't really deserve to be going to the concert/film/play/meal with you in the first place. Also, they are sufficiently annoying that they are keeping you waiting. As any fool can see, you are the person who should be keeping them waiting. We hold this to be self-evident."
Does this look anything like it?
23.5.04
Michael Moore 1 x 0 George Bush
Não foi linda a vitória do Fahrenheit 9/11 em Cannes? Ou não seria melhor comemorar a grande derrota de George Bush em Cannes? Talvez este seja o primeiro filme na história a conseguir derrubar um presidente. Ainda há solução neste mundo. Viva Michael Moore.
Arte 1 x 0 Política Americana.
______
Mas, americano é mesmo vendido, e até nisso o Michael Moore escancara, inclusive fora do filme. Quando a Disney se recusou a distribuir o filme, um monte de arroz-de-festa sairam na imprensa tachando o Fahrenheit 9/11 de anti-americano. Agora que ganhou a Palma de Ouro, os mesmos estão saindo no tapa pra ver quem vai distribuir. E a Disney com cara de idiota vendo a grana que eles vão perder. Aquele velho dilema americano: a ideologia ou o dinheiro? Todo mundo sabe o que eles acabam escolhendo...
Arte 1 x 0 Política Americana.
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Mas, americano é mesmo vendido, e até nisso o Michael Moore escancara, inclusive fora do filme. Quando a Disney se recusou a distribuir o filme, um monte de arroz-de-festa sairam na imprensa tachando o Fahrenheit 9/11 de anti-americano. Agora que ganhou a Palma de Ouro, os mesmos estão saindo no tapa pra ver quem vai distribuir. E a Disney com cara de idiota vendo a grana que eles vão perder. Aquele velho dilema americano: a ideologia ou o dinheiro? Todo mundo sabe o que eles acabam escolhendo...
21.5.04
Fim de Papo
Diálogo frequente de uma artista digital com o mundo da arte no Rio de Janeiro:
Interlocutor: Isabel você é artista? Você faz o quê?
eu: Tenho formação em desenho e pintura, mas atualmente faço arte digital, principalmente com Internet....
Interlocutor: Isso é arte com computador, né.
eu: Sim. Mas o computador é apenas uma ferramenta, o meu trabalho depende do computador sim, mas o mais importante são as questões que eu abordo nos meus trabalhos como identidade, privacidade e amor que só acontecem pela Internet. Eu me interesso em como as pessoas interagem com a Internet por meio das imagens que elas colocam em circulação na rede através de websites ou câmeras de vigilância, e dispositivos como GPS, e .....
Interlocutor: (me interrompendo, com olhar confuso): GP o quê? Não entendo nada de computador. Mal sei checar e-mail.
fim de linha.
Interlocutor: Isabel você é artista? Você faz o quê?
eu: Tenho formação em desenho e pintura, mas atualmente faço arte digital, principalmente com Internet....
Interlocutor: Isso é arte com computador, né.
eu: Sim. Mas o computador é apenas uma ferramenta, o meu trabalho depende do computador sim, mas o mais importante são as questões que eu abordo nos meus trabalhos como identidade, privacidade e amor que só acontecem pela Internet. Eu me interesso em como as pessoas interagem com a Internet por meio das imagens que elas colocam em circulação na rede através de websites ou câmeras de vigilância, e dispositivos como GPS, e .....
Interlocutor: (me interrompendo, com olhar confuso): GP o quê? Não entendo nada de computador. Mal sei checar e-mail.
fim de linha.
20.5.04
Picasso e arte pública no Rio
Marketeiro acha que é realmente genial. No Globo de hoje noticiaram o lançamento do Xsara Picasso junto às obras do Picasso, na mostra na Oca, no Parque Ibirapuera. Foi a primeira vez em que esse modelo de carro foi mostrado junto às obras do seu homônimo. A pergunta que fica é: as pessoas que foram a esse coquetel foram para ver o carro ou as obras? Nenhuma das duas: as pessoas foram mesmo para continuarem suas carreiras de arroz-de-festa porque nem olham as obras com suas tulipas de prosecco nas mãos, mas talvez saiam de lá com um Picasso a preço popular. Na semana que vem todo mundo aparece em Caras. E assim caminha a nossa ignorância...
Enquanto isso, na França, some um Picasso de 3 milhões de dólares....
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Finalmente a Secretaria da(s) Cultura(s) do Rio se tocou de que é necessária uma comissão séria e profissional para avaliar as pífias obras de arte pública que ocupam a cidade. A comissão é composta dos tops da arte no Rio de Janeiro, entre eles Paulo Herkenhoff, Carlos Zilio, Ernesto Neto e outros, para julgar projetos de arte pública e assim garantir que as esculturas instaladas nas nossas vias públicas tenham um mínimo de qualidade e adequação ao ambiente urbano. Isso tudo para desbancar de vez uma certa escultora carioca, Marly Mazeredo, que vem inserindo suas esculturas medíocres na cidade com financiamento público e privado e sem licitação da prefeitura em alguns casos. Dizem que esta senhora tem costas quentes, mas acho que agora vão começar a esfriar, e abrir o caminho para obras de qualidade no nosso espaço urbano.
Leia mais em Tribuna da Arte Pública. no Globo.
Enquanto isso, na França, some um Picasso de 3 milhões de dólares....
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Finalmente a Secretaria da(s) Cultura(s) do Rio se tocou de que é necessária uma comissão séria e profissional para avaliar as pífias obras de arte pública que ocupam a cidade. A comissão é composta dos tops da arte no Rio de Janeiro, entre eles Paulo Herkenhoff, Carlos Zilio, Ernesto Neto e outros, para julgar projetos de arte pública e assim garantir que as esculturas instaladas nas nossas vias públicas tenham um mínimo de qualidade e adequação ao ambiente urbano. Isso tudo para desbancar de vez uma certa escultora carioca, Marly Mazeredo, que vem inserindo suas esculturas medíocres na cidade com financiamento público e privado e sem licitação da prefeitura em alguns casos. Dizem que esta senhora tem costas quentes, mas acho que agora vão começar a esfriar, e abrir o caminho para obras de qualidade no nosso espaço urbano.
Leia mais em Tribuna da Arte Pública. no Globo.
19.5.04
Latinarte
Vai aí uma dica de site muito bem feito sobre arte latino-americana recente, o Latinarte, para quem quer conhecer um pouco mais sobre art efeita no nosso continente. É uma galeria virtual e inclui vários dos clássicos da arte moderna até os experimentais mais contemporâneos.
Não sei se por acaso, mas de 5 artistas que descobri lá e de quem mais gostei, 4 eram argentinos. não sei o que isso quer dizer, mas lacan ou freud devem explicar.
Tem uma frase lá que eu gostei especialmente que diz que as experimentações do século XX deram vazão à liberdade desenfreada da arte nesse início de milênio. Falou e disse.
Não sei se por acaso, mas de 5 artistas que descobri lá e de quem mais gostei, 4 eram argentinos. não sei o que isso quer dizer, mas lacan ou freud devem explicar.
Tem uma frase lá que eu gostei especialmente que diz que as experimentações do século XX deram vazão à liberdade desenfreada da arte nesse início de milênio. Falou e disse.
A coisa primeira
Diz o meu mestre que a arte se resume a 3 coisas:
impulso vital
obsessão
intransigência
O resto é logística, sobrevivência, babaquice.
Não se esqueçam da coisa primeira.
impulso vital
obsessão
intransigência
O resto é logística, sobrevivência, babaquice.
Não se esqueçam da coisa primeira.
17.5.04
Re-Construtivismo
Em conversa com outros artistas, chegamos à conclusão que a única saída para a arte contemporânea, e para a arte em geral, é retornar, ou melhor, evoluir, para o construtivismo. Cansamos dessa coisa pós-moderna, pós-estruturalista, pós-linguistica, e principalmente, cansamos dos filósofos alemães (Wittgenstein, Kant, Hegel, Schopenhauer, etc...). Optamos por um retorno aos gregos, por uma visão mais inteira do mundo, por uma visão mais apoiada na lógica do que na ilustração de pensamentos teutônicos. Já vimos a arte morrer de todas as formas, e ressuscitar, e morrer de novo. Sempre tem um Fukuyama de plantão para matar a história do que quer que seja. Cansamos do apocalipse e da paisagem desértica do futuro da ficção científica.
Prefiro arriscar uma vertente construtiva sem a parafernália ideológica dos russos de 1917, para realizar a arte através da construção de conceitos e não destrui-la através do conceito. Destruir é muito fácil, difícil é criar. Duchamp já dessacralizou tudo, não precisamos mais passear por essas bandas. O resto já foi todo visto. A novidade está na construção, mas o que proponho mesmo é re-construir.
Isso obviamente me coloca num lugar muito confortável porque nunca consegui realmente entrar nessa onda do desmembramento, do desarranjo, da des-figuração. O meu trabalho sempre foi orientado à criação de ilusões óticas e à construção de imagens seja a partir de uma referência, seja a partir do zero, ou reconfigurar estilhaços de algo já destruído para criar algo das "cinzas", embora sub-serviente a uma idéia, ou conceito, anterior.
Me parece que esse é um caminho mais fértil. Gosto da arte, não quero matá-la.
Prefiro arriscar uma vertente construtiva sem a parafernália ideológica dos russos de 1917, para realizar a arte através da construção de conceitos e não destrui-la através do conceito. Destruir é muito fácil, difícil é criar. Duchamp já dessacralizou tudo, não precisamos mais passear por essas bandas. O resto já foi todo visto. A novidade está na construção, mas o que proponho mesmo é re-construir.
Isso obviamente me coloca num lugar muito confortável porque nunca consegui realmente entrar nessa onda do desmembramento, do desarranjo, da des-figuração. O meu trabalho sempre foi orientado à criação de ilusões óticas e à construção de imagens seja a partir de uma referência, seja a partir do zero, ou reconfigurar estilhaços de algo já destruído para criar algo das "cinzas", embora sub-serviente a uma idéia, ou conceito, anterior.
Me parece que esse é um caminho mais fértil. Gosto da arte, não quero matá-la.
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