convido todos os blogueiros cariocas e paulistas a visitarem a Nano-exposição. Idealizada e concebida pelo grupo D>O>C> formado por moi, patricia gouvêa, mauro bandeira, e m.a.portela:
A Galeria Arte em Dobro vai apresentar uma exposição original e inovadora, a partir do dia 25 de junho próximo. Em uma inusitada coletiva de 35 artistas contemporâneos, a nanoexposição propõe uma reflexão sobre o que é ou não visível, uma metáfora em alusão à escala com que trabalha a nanotecnologia, a nova fronteira de desenvolvimento do conhecimento humano, que trabalha com partículas atômicas do tamanho de um bilionésimo do metro.
A principal proposta da exposição está no tamanho escolhido para as obras, o “nano”, infinitamente menor que o “grande” formato de preferência atual da arte contemporânea. A idéia partiu dos artistas Isabel Löfgren, Marco Antonio Portela, Mauro Bandeira, e Patrícia Gouvêa, com o objetivo de explorar “um espaço de observação além do visível”. Eles convidaram outros artistas a fazerem esse mesmo exercício, sem impor limites mínimos ou máximos. Mas eles ressaltam que esta “não é uma exposição de miniaturas, mas sim de propor ao espectador a idéia de um outro espaço, outros planos do visível, da reflexão que se forma a partir de um mínimo de informação visual”.
A exposição da Arte em Dobro quer transportar o espectador para um novo espaço de observação, provocando atração e pesquisa, construindo uma forma absolutamente pessoal de leitura para cada uma das obras expostas. Cada uma das obras será acompanhada de uma lupa, para que o espectador possa ver melhor a proposta do artista.
A nanotecnologia é uma ciência de ponta que promete revoluções tão ou mais significativas que as decorrentes do mundo da microeletrônica, dos chips e dos computadores. Os investimentos em pesquisas são colossais. “É a arte de montar a matéria átomo a átomo, permitindo que medidas nanométricas possam produzir nessa escala macro-objetos”, avisam os organizadores da mostra. Eles acrescentam que o “aspecto reduzido dos trabalhos vai suscitar também o jogo lúdico do pequeno objeto portátil, que seduz o colecionador. É o espaço da intimidade e do oculto, cuja potência está em ser decifrado como se fossem símbolos desenhados ou escritos à espera do encantamento da descoberta“.
Isabel Löfgren, Marco Antonio Portela, Mauro Bandeira, e Patrícia Gouvêa se unem para formar o Grupo D.O.C. , com o objetivo de articular e promover ações dentro do circuito contemporâneo de artes visuais.
A exposição depois vai ganhar uma itinerância, a convite do artista Walton Hoffmann, em São Paulo, no Paço das Artes, dia 05 de julho, com acréscimo de obras de outros artistas.
24.6.05
19.5.05
O Vermelho e a Vitoria
Há alguns meses, fiz um post lá no Blog de Usabilidade sobre a importância do uso das cores aplicadas ao cotitidiano.
Hoje no Globo:
Estudo: vermelho pode ser a chave para o bom desempenho esportivoReuters
LONDRES - Os touros ficam furiosos com ela, que também indica perigo e está associada a perda de controle, mas nos esportes a cor vermelha parece oferecer uma importante vantagem competitiva aos atletas masculinos.
- Demonstramos, especialmente nos esportes de competição e combate em Olimpíadas, que o vermelho parece conferir uma vantagem às pessoas que o usam - disse Russell Hill, da Universidade de Durham, na Inglaterra, um dos líderes da pesquisa. - Então você tem muito mais ganhadores usando vermelho do que você poderia esperar com base na probabilidade - acrescentou.
Hill e o também pesquisador Robert Barton chegaram à conclusão de que, se dois atletas têm mais ou menos a mesma habilidade, o que se veste de vermelho pode ter uma vantagem definitiva.
Em muitas espécies animais, o vermelho tem forte relação com os níveis de testosterona. Denota a qualidade masculina, o domínio e a competitividade no reino animal, mas a investigação, publicada na revista científica "Nature", é a primeira a investigar seu impacto nos humanos.
Exatamente como o vermelho dá uma vantagem competitiva ao atleta é algo que ainda é desconhecido, mas Hill acredita que a cor poderia produzir um aumento da testosterona no competidor que veste uniforme dessa cor.
- Da mesma forma, poderia afetar algum nível de repressão no seu opositor. Essas duas coisas poderiam funcionar em paralelo - afirmou Hill.
Todos os participantes dos eventos estudados eram homens. Os investigadores duvidam de que o vermelho possa ter o mesmo impacto em atletas femininas, disse o cientista:
- As mulheres não usam essa sinalização vermelha como um distintivo de domínio da mesma forma que os homens. Por isso não previmos necessariamente o mesmo tipo de efeito.
Hoje no Globo:
Estudo: vermelho pode ser a chave para o bom desempenho esportivoReuters
LONDRES - Os touros ficam furiosos com ela, que também indica perigo e está associada a perda de controle, mas nos esportes a cor vermelha parece oferecer uma importante vantagem competitiva aos atletas masculinos.
- Demonstramos, especialmente nos esportes de competição e combate em Olimpíadas, que o vermelho parece conferir uma vantagem às pessoas que o usam - disse Russell Hill, da Universidade de Durham, na Inglaterra, um dos líderes da pesquisa. - Então você tem muito mais ganhadores usando vermelho do que você poderia esperar com base na probabilidade - acrescentou.
Hill e o também pesquisador Robert Barton chegaram à conclusão de que, se dois atletas têm mais ou menos a mesma habilidade, o que se veste de vermelho pode ter uma vantagem definitiva.
Em muitas espécies animais, o vermelho tem forte relação com os níveis de testosterona. Denota a qualidade masculina, o domínio e a competitividade no reino animal, mas a investigação, publicada na revista científica "Nature", é a primeira a investigar seu impacto nos humanos.
Exatamente como o vermelho dá uma vantagem competitiva ao atleta é algo que ainda é desconhecido, mas Hill acredita que a cor poderia produzir um aumento da testosterona no competidor que veste uniforme dessa cor.
- Da mesma forma, poderia afetar algum nível de repressão no seu opositor. Essas duas coisas poderiam funcionar em paralelo - afirmou Hill.
Todos os participantes dos eventos estudados eram homens. Os investigadores duvidam de que o vermelho possa ter o mesmo impacto em atletas femininas, disse o cientista:
- As mulheres não usam essa sinalização vermelha como um distintivo de domínio da mesma forma que os homens. Por isso não previmos necessariamente o mesmo tipo de efeito.
4.5.05
Abraham Palatnik premiado
O artista brasileiro Abraham Palatnik, artista cinético brasileiro, ganhou um Lifetime Achievement Award (um prêmio que americano adora dar para prestigiar a obra de vida de um artista, formato inexistente no Brasil), da Leonardo Foundation. Mais um brasileiro notório vagando por aí!
Leonardo/ISAST is pleased to announce Abraham Palatnik as the recipient of the 2005 Frank J. Malina Leonardo Award for Lifetime Achievement. For over a half century, pioneering Brazilian artist Palatnik has been working at the forefront of "new media," creating a comprehensive body of work inspired by his broad-reaching interests in the arts, sciences and technology. Over the years, Palatnik has continually pushed the limits of innovation, beginning with his motorized light and color machines (termed "cinechromatic" machines by Brazilian critic and theorist Mario Pedrosa) and continuing through many experiments with kinetic art, as well as the creation of several patented inventions.
Leonardo/ISAST is pleased to announce Abraham Palatnik as the recipient of the 2005 Frank J. Malina Leonardo Award for Lifetime Achievement. For over a half century, pioneering Brazilian artist Palatnik has been working at the forefront of "new media," creating a comprehensive body of work inspired by his broad-reaching interests in the arts, sciences and technology. Over the years, Palatnik has continually pushed the limits of innovation, beginning with his motorized light and color machines (termed "cinechromatic" machines by Brazilian critic and theorist Mario Pedrosa) and continuing through many experiments with kinetic art, as well as the creation of several patented inventions.
Sem noçao!
Há poucos dias, foi publicado no New York Times uma crítica de arte sobre o CyberArts Festival de Boston, que é um festival que incorpora exposições e performances feitas por artistas que utilizam a tecnologia como parte integral do trabalho. A crítica de arte Sarah Boxer foi super irônica e detonou tudo o que viu na exposição, agradando aos cínicos que já detonam qualquer arte que não seja Monet, e deixando os artistas do nosso tempo mais desamparados na mídia.
Mas como o pessoal na web não cala a boca nem se pagarem, a reação foi imediata e rolou este excelente artigo de Steve Dietz reagindo à Sra. Sarah Boxer:
(desculpem, vai em inglês mesmo)
+++++
" Since others were discussing the NYT review of the cyberarts festival, i thought i'd post Steve Dietz's response from his blog. He rightly criticizes the author not for a lack of knowledge about interactive art per se, but contemporary art in general.
Art Critic Misses the Big PictureM
It's not that Sarah Boxer is clueless. I don't believe that someone has to "get" interactive art to write about it. Maybe some of the artwork she skewers in her April 26 New York Times review of the Boston Cyberarts Festival, Art That Puts You in the Picture, Like It Or Not, is as "irritating" as she claims it is. What should concern her readers, and even more so her editors, is her apparent lack of perspective about contemporary art. Let us count the ways.
Boxer: Problem No. 1: potty-mouthed machines. "PS," by Gretchen Skogerson and Garth Zeglin at the Stata Center, is an oval mirror with a sign that bids you "lean in close." You do. A voice says, "I like to masturbate in public." Ack. Did anyone else hear that? Can anyone say Seedbed?
For his notorious and influential performance at Sonabend Gallery in 1972, Vito Acconci lay beneath the floorboards of a constructed ramp masturbating while his fantasies about the visitors above him were broadcast over loudspeakers. Ack.
Boxer: Problem No. 2: too much ritual, too little time. "1-Bit Love," by Noah Vawter, is a musical altar, a totem covered in foil and exuding a synthetic rhythm (a one-bit wave form). The pillar has red velvet knobs. People are supposed to lay hands on it and turn the knobs to modulate the sound. No one wants to be the first to paw the idol. And once you do, it's not clear what effect you are having. [emphasis added]
Compare: Nam June Paik, Participation TV, 1963 - 1966[Participation TV I] concerns a purely acoustic-oriented type of , with an integrated microphone. The later version serves a television showing in the middle of its screen a colored bundle of lines which explosively spread out to form bizarre-looking line formations the moment someone speaks into the microphone or produces any other type of sound. Depending on the sound‚s inherent quality or volume, the signals are intensified by a sound-frequency amplifier to produce an endless variety of line formations which never seem to repeat themselves or be in any way predictable. [emphasis added] (via Media Art Net)
Boxer: [P]roblem No. 3: ungraciousness. Machines make no bones about their own flaws, but are unbending about yours.
Let's just stick to photography (another machine art). Gary Winogrand. Diane Arbus. Lee Friedlander. Tina Barney. Lisette Modell. Shelby Lee Adams. Susan Meiselas (Carnival Strippers). Bill Owens. Walker Evans. Bruce Gilden. Nan Goldin, Richard Avedon (The American West). Stop me, please.
Boxer: [P]roblem No. 4: moral superiority. Consider "Applause," by Jeff Lieberman, Josh Lifton, David Merrill and Hayes Raffle. You stoop to enter a curtained booth. (Already you're in the weak position.) There's a movie screen divided into three parts, and in front of each is a microphone. Clap vigorously into one of the microphones and the movie screen in front of it comes to life, playing its movie. Stop clapping and the action grinds to a halt.
Now, wouldn't it be great if you could get all three screens going at once? You can! Just run from mike to mike, clapping in front of all three. Now they're all going! Uh-oh. It's Hitler giving a speech. And there you are clapping like crazy, you idiot.
Compare: Paul McCarthy, Documents(1995-1999). "Selections of 8 x 10 photographs with images of Disneyland and other American pop items and images from Nazi Germany, mounted and framed." (via) You should hear the docents trying to explain that one without making the public feel like idiots.
My point is not that the work at the Cyberarts Festival necessarily compares favorably with these iconic works of contemporary art, but Boxer's reasoning is lazy at best. And yet it is so commmonplace in the mainstream press as to be almost not worth mentioning, except that this hasn't always been true at the Times. To give Boxer credit, she does not fixate on the cost, collectability, or technology of the works, but neither does she provide even the most minimal sense of context, except her own apparent discomfort at being in the picture. This despite almost a half century of contemporary art that does just that from Michelangelo Pistoletto to Bruce Nauman to Dan Graham to Andrea Fraser to Janet Cardiff to ...
I don't know whether to laugh or cry.
++++++
PRECISO DIZER MAIS ALGUMA COISA???
Mas como o pessoal na web não cala a boca nem se pagarem, a reação foi imediata e rolou este excelente artigo de Steve Dietz reagindo à Sra. Sarah Boxer:
(desculpem, vai em inglês mesmo)
+++++
" Since others were discussing the NYT review of the cyberarts festival, i thought i'd post Steve Dietz's response from his blog. He rightly criticizes the author not for a lack of knowledge about interactive art per se, but contemporary art in general.
Art Critic Misses the Big PictureM
It's not that Sarah Boxer is clueless. I don't believe that someone has to "get" interactive art to write about it. Maybe some of the artwork she skewers in her April 26 New York Times review of the Boston Cyberarts Festival, Art That Puts You in the Picture, Like It Or Not, is as "irritating" as she claims it is. What should concern her readers, and even more so her editors, is her apparent lack of perspective about contemporary art. Let us count the ways.
Boxer: Problem No. 1: potty-mouthed machines. "PS," by Gretchen Skogerson and Garth Zeglin at the Stata Center, is an oval mirror with a sign that bids you "lean in close." You do. A voice says, "I like to masturbate in public." Ack. Did anyone else hear that? Can anyone say Seedbed?
For his notorious and influential performance at Sonabend Gallery in 1972, Vito Acconci lay beneath the floorboards of a constructed ramp masturbating while his fantasies about the visitors above him were broadcast over loudspeakers. Ack.
Boxer: Problem No. 2: too much ritual, too little time. "1-Bit Love," by Noah Vawter, is a musical altar, a totem covered in foil and exuding a synthetic rhythm (a one-bit wave form). The pillar has red velvet knobs. People are supposed to lay hands on it and turn the knobs to modulate the sound. No one wants to be the first to paw the idol. And once you do, it's not clear what effect you are having. [emphasis added]
Compare: Nam June Paik, Participation TV, 1963 - 1966[Participation TV I] concerns a purely acoustic-oriented type of , with an integrated microphone. The later version serves a television showing in the middle of its screen a colored bundle of lines which explosively spread out to form bizarre-looking line formations the moment someone speaks into the microphone or produces any other type of sound. Depending on the sound‚s inherent quality or volume, the signals are intensified by a sound-frequency amplifier to produce an endless variety of line formations which never seem to repeat themselves or be in any way predictable. [emphasis added] (via Media Art Net)
Boxer: [P]roblem No. 3: ungraciousness. Machines make no bones about their own flaws, but are unbending about yours.
Let's just stick to photography (another machine art). Gary Winogrand. Diane Arbus. Lee Friedlander. Tina Barney. Lisette Modell. Shelby Lee Adams. Susan Meiselas (Carnival Strippers). Bill Owens. Walker Evans. Bruce Gilden. Nan Goldin, Richard Avedon (The American West). Stop me, please.
Boxer: [P]roblem No. 4: moral superiority. Consider "Applause," by Jeff Lieberman, Josh Lifton, David Merrill and Hayes Raffle. You stoop to enter a curtained booth. (Already you're in the weak position.) There's a movie screen divided into three parts, and in front of each is a microphone. Clap vigorously into one of the microphones and the movie screen in front of it comes to life, playing its movie. Stop clapping and the action grinds to a halt.
Now, wouldn't it be great if you could get all three screens going at once? You can! Just run from mike to mike, clapping in front of all three. Now they're all going! Uh-oh. It's Hitler giving a speech. And there you are clapping like crazy, you idiot.
Compare: Paul McCarthy, Documents(1995-1999). "Selections of 8 x 10 photographs with images of Disneyland and other American pop items and images from Nazi Germany, mounted and framed." (via) You should hear the docents trying to explain that one without making the public feel like idiots.
My point is not that the work at the Cyberarts Festival necessarily compares favorably with these iconic works of contemporary art, but Boxer's reasoning is lazy at best. And yet it is so commmonplace in the mainstream press as to be almost not worth mentioning, except that this hasn't always been true at the Times. To give Boxer credit, she does not fixate on the cost, collectability, or technology of the works, but neither does she provide even the most minimal sense of context, except her own apparent discomfort at being in the picture. This despite almost a half century of contemporary art that does just that from Michelangelo Pistoletto to Bruce Nauman to Dan Graham to Andrea Fraser to Janet Cardiff to ...
I don't know whether to laugh or cry.
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PRECISO DIZER MAIS ALGUMA COISA???
2.5.05
A palavra e a coisa
Recebi um comentário interessante do Horvallis :
Arte contemporânea existe somente como desafio a Foucault que disse que "a palavra cria a coisa" - talvez a "arte contemporânea" seja o único caso em que as palavras não criaram nada !
Regardez, Horvallis, discordo.
O buraco da lingüística na arte contemporânea, ou no pensamento contemporâneo em geral, é um pouco mais abrangente. Além de Foucault, deve-se olhar atentamente as teorias de Roland Barthes, Saussure, Bardiou, Jameson, Derrida, Deleuze, Wittgenstein, até Chomsky e recuando até Heidegger e Hegel. A questão que predomina em todas as linguagens visuais contemporâneas, historicamente a partir dos anos 60, é centrada na transição da forma modernista à estrutura pós-modernista. Dessa transição derivam-se as correntes de pensamento desconstrutivistas e estruturalistas nascidas na França pós-68 e desenvolvidas nos Estados Unidos sob a alcunha de "pós-modernismo".
Em termos muitos gerais, o que esses filósofos estão querendo dizer é que é necessário recorrer à análise da estrutura para de alguma forma tentar definir o "ser" contemporâneo. Não somos mais, nem podemos mais ser, estritamente formais como foram os modernistas em que a essência da pintura, por exemplo, era encontrada na crítica da própria pintura. Ou seja, a pintura era mais pintura porque questionava a si própria e transcendia seus próprios limites. Isso é evidenciado na trajetória da figuração à abstração pura que iniciou com a quebra e o achatamento do plano pictórico cubista até a abstração geométrica total que foi desembocar na arte concreta. Só que o significado da obra de arte só aguentou o esvaziamento até certo ponto pois chegou num beco sem saída, daí vários críticos americanos terem declarado "o fim da pintura". Mas da mesma forma que a natureza sempre encontra uma forma de regeneração, a arte teve que encontrar algum meio de "sobrevivência" pois tudo já tinha sido feito.
Toda essa pesquisa modernista foi desembocar na virada da arte conceitual e na arte minimalista. A arte conceitual quer passar a idéia, em parte fundamentada pela maioria desses pensadores citados acima, de que a arte é mais do que aquilo que se vê. Que a arte pode estar contida dentro de um gesto, de uma ação, de uma idéia e que a obra de arte é como se fosse uma peça que aja como "parteira" para essa idéia, uma testemunha do gesto e da ação, ou evidência de um processo de pensamento. Faz parecer que a arte é uma continuação da vida, e não um objeto alien a ela.
Para entender como "a palavra cria a coisa" é preciso ler 2 textos importantes: o "Arte depois da Filosofia" de Joseph Kosuth, que é o texto sobre arte conceitual mais radical, e o Manifesto Neo-Concreto e Ferreira Gullar. Ambos artistas inclusive fundamentam os textos em suas próprias obras. O Kosuth reduziu tudo à definição de dicionário de dada palavra e estampou isso sobre vidros, querendo tornar a arte o menos palpável possível. O Ferreira Gullar pegou a palavra literalmente e fez com que ela se tornasse a própria obra.
Acabou a aulinha.
E só pra ampliar os horizontes do pessoal, o negócio é o seguinte: arte contemporânea não é só aquela arte hermética e conceitual que você olha e pensa "e daí?". Arte contemporânea não é só feita para confundir o espectador. Existe arte contemporânea de excelente qualidade. E como dizem por aí "beauty is in the eye of the beholder"...
Arte contemporânea existe somente como desafio a Foucault que disse que "a palavra cria a coisa" - talvez a "arte contemporânea" seja o único caso em que as palavras não criaram nada !
Regardez, Horvallis, discordo.
O buraco da lingüística na arte contemporânea, ou no pensamento contemporâneo em geral, é um pouco mais abrangente. Além de Foucault, deve-se olhar atentamente as teorias de Roland Barthes, Saussure, Bardiou, Jameson, Derrida, Deleuze, Wittgenstein, até Chomsky e recuando até Heidegger e Hegel. A questão que predomina em todas as linguagens visuais contemporâneas, historicamente a partir dos anos 60, é centrada na transição da forma modernista à estrutura pós-modernista. Dessa transição derivam-se as correntes de pensamento desconstrutivistas e estruturalistas nascidas na França pós-68 e desenvolvidas nos Estados Unidos sob a alcunha de "pós-modernismo".
Em termos muitos gerais, o que esses filósofos estão querendo dizer é que é necessário recorrer à análise da estrutura para de alguma forma tentar definir o "ser" contemporâneo. Não somos mais, nem podemos mais ser, estritamente formais como foram os modernistas em que a essência da pintura, por exemplo, era encontrada na crítica da própria pintura. Ou seja, a pintura era mais pintura porque questionava a si própria e transcendia seus próprios limites. Isso é evidenciado na trajetória da figuração à abstração pura que iniciou com a quebra e o achatamento do plano pictórico cubista até a abstração geométrica total que foi desembocar na arte concreta. Só que o significado da obra de arte só aguentou o esvaziamento até certo ponto pois chegou num beco sem saída, daí vários críticos americanos terem declarado "o fim da pintura". Mas da mesma forma que a natureza sempre encontra uma forma de regeneração, a arte teve que encontrar algum meio de "sobrevivência" pois tudo já tinha sido feito.
Toda essa pesquisa modernista foi desembocar na virada da arte conceitual e na arte minimalista. A arte conceitual quer passar a idéia, em parte fundamentada pela maioria desses pensadores citados acima, de que a arte é mais do que aquilo que se vê. Que a arte pode estar contida dentro de um gesto, de uma ação, de uma idéia e que a obra de arte é como se fosse uma peça que aja como "parteira" para essa idéia, uma testemunha do gesto e da ação, ou evidência de um processo de pensamento. Faz parecer que a arte é uma continuação da vida, e não um objeto alien a ela.
Para entender como "a palavra cria a coisa" é preciso ler 2 textos importantes: o "Arte depois da Filosofia" de Joseph Kosuth, que é o texto sobre arte conceitual mais radical, e o Manifesto Neo-Concreto e Ferreira Gullar. Ambos artistas inclusive fundamentam os textos em suas próprias obras. O Kosuth reduziu tudo à definição de dicionário de dada palavra e estampou isso sobre vidros, querendo tornar a arte o menos palpável possível. O Ferreira Gullar pegou a palavra literalmente e fez com que ela se tornasse a própria obra.
Acabou a aulinha.
E só pra ampliar os horizontes do pessoal, o negócio é o seguinte: arte contemporânea não é só aquela arte hermética e conceitual que você olha e pensa "e daí?". Arte contemporânea não é só feita para confundir o espectador. Existe arte contemporânea de excelente qualidade. E como dizem por aí "beauty is in the eye of the beholder"...
28.4.05
Ouvintes
Recebemos ilustres visitantes na aula do mestrado outro dia. Por causa da chuva, 2 cachorros vira-lata, concebidos e nascidos na Ilha do Fundão (o que faria deles "fundilhos"?) invadiram a sala de aula e se instalaram no cantinho para protegerem-se da chuva.
Devem ter saído de lá formados.
Devem ter saído de lá formados.
arte contemporanea...bah!
Não posso evitar de citar e linkar o BLOGMA 2005 do Bruno Rabin, David Butter, Igor Barbosa, Márcio Guilherme, com reflexões pontuais sobre arte contemporânea, objeto de estudo e profissão não-remunerada cuja definição intriga quem vos escreve agora.
Cito: Blogma 2005
Fica vedada qualquer menção a Foulcault, salvo esta.
(...)
Como regra, arte plástica contemporânea só é arte para estes blogs no sentido desta frase: “Meu filho, vê se pára de fazer arte!” Aliás, arte contemporânea passa a ser contradição em termos. (...)
Quanto ao Foucault, os meninos têm toda razão. A minha última leitura hors-mestrado foi Modernity and Self-Identity do sociólogo inglês Anthony Giddens que dá de mil no Foucault. Não me levem a mal, eu adoro Foucault, tanto que um dos meus trabalhos é um panóptico de imagens de webcams bem foucaultiano. Mas o Giddens dá de mil pois consegue produzir uma leitura fácil e palpável a qualquer ser antenado nos movimentos deste mundo ao mesmo tempo que traça uma teoria do ser na modernidade bastante complexa. E isso tudo sem o bi-bi-bi-bu-bu-bu dos franceses (que escrevem teoria só pra pegar menininha no café da esquina. Recomendo.
Mas porque o ódio à arte contemporânea?? Vocês não entenderam arte contemporânea até hoje? Até o pessoal lá do mestrado não consegue chegar a um consenso sobre que raios é essa arte que tem nome e sobrenome. Talvez se botássemos ela na lista de chamada na aula, ela talvez responda.
Cito: Blogma 2005
Fica vedada qualquer menção a Foulcault, salvo esta.
(...)
Como regra, arte plástica contemporânea só é arte para estes blogs no sentido desta frase: “Meu filho, vê se pára de fazer arte!” Aliás, arte contemporânea passa a ser contradição em termos. (...)
Quanto ao Foucault, os meninos têm toda razão. A minha última leitura hors-mestrado foi Modernity and Self-Identity do sociólogo inglês Anthony Giddens que dá de mil no Foucault. Não me levem a mal, eu adoro Foucault, tanto que um dos meus trabalhos é um panóptico de imagens de webcams bem foucaultiano. Mas o Giddens dá de mil pois consegue produzir uma leitura fácil e palpável a qualquer ser antenado nos movimentos deste mundo ao mesmo tempo que traça uma teoria do ser na modernidade bastante complexa. E isso tudo sem o bi-bi-bi-bu-bu-bu dos franceses (que escrevem teoria só pra pegar menininha no café da esquina. Recomendo.
Mas porque o ódio à arte contemporânea?? Vocês não entenderam arte contemporânea até hoje? Até o pessoal lá do mestrado não consegue chegar a um consenso sobre que raios é essa arte que tem nome e sobrenome. Talvez se botássemos ela na lista de chamada na aula, ela talvez responda.
19.4.05
A Sindrome de Anastacia
Caraca. mais de um mês sem escrever....foi-mal-galeraaaaa!!! a minha vida está uma confusão: separação, mestrado, frilas...mas de vez em quando me sobra um tempinho para escrever besteiras:
Há uma tentativa de ressuscitar o comunismo no mundo. E essa tentativa não parte dos alunos de graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nem do PT, mas dos russos. Aquele povo que habita terras geladas que cobrem meio-mundo e que um dia tentaram nos convencer que a igualdade social e econômica exisitiria entre os humanos. Só não detono os comunistas de vez porque eles nos deram artistas como Malevich, Eisenstein, e boa vodka. (talvez isso só teria acontecido por causa da boa vodka, mas deixa pra lá.)
Como é sabido, os novos contratados do politburo ex-soviético são as belas fêmeas por ali produzidas em série para consumo interno tendo em vista a manutenção da saúde mental e sexual da população e que agora, no neo-capitalismo selvagem instaurado depois da queda do muro, viraram produto de exportação.
Estou falando das meninas russas (todas elas com diplomas universitários) que se promovem em sites de relacionamentos à procura do homem perfeito. Através de táticas de miscigenação aprendidas com os colonos portgueses do século 17, essas russinhas estão rapidamente populando o planeta com comunistazinhos híbridos. E elas gostam de principalmente de laçar "alvos" americanos, tornando a guerra fria uma guerra muy caliente...Por homem perfeito entende-se que este "alvo estratégico" tenha: uma economia estável (grana no bolso), identificação cultural forte (senso de humor), um sentido de comprometimento na política interna (gostar de crianças e família).
E como não poderia deixar de ser, os russos, bons que são de propaganda política (melhor que os brasileiros em horário eleitoral), têm uma forma inusitada de chamar a atenção para este novo produto que com certeza garantirá a permanência do recém-assassinado comunismo no mundo (ou assim acreditávamos), através do turismo:
"...Read our travel guide about this country and its ladies and start dating one of the girls from Ukraine..."
Visite os campos de trigo da Ucrânia, e leve uma mulher como souvenir! (Essa valorização da mulher sempre me impressiona...)
Bem, se as brasileiras não estiverem os satisfazendo, saibam que a princesa Anastácia estará à sua espera...
ANASTASIAWEB
O melhor da história é que este site é baseado nos EUA! Por falar em guerra fria-caliente....
Há uma tentativa de ressuscitar o comunismo no mundo. E essa tentativa não parte dos alunos de graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nem do PT, mas dos russos. Aquele povo que habita terras geladas que cobrem meio-mundo e que um dia tentaram nos convencer que a igualdade social e econômica exisitiria entre os humanos. Só não detono os comunistas de vez porque eles nos deram artistas como Malevich, Eisenstein, e boa vodka. (talvez isso só teria acontecido por causa da boa vodka, mas deixa pra lá.)
Como é sabido, os novos contratados do politburo ex-soviético são as belas fêmeas por ali produzidas em série para consumo interno tendo em vista a manutenção da saúde mental e sexual da população e que agora, no neo-capitalismo selvagem instaurado depois da queda do muro, viraram produto de exportação.
Estou falando das meninas russas (todas elas com diplomas universitários) que se promovem em sites de relacionamentos à procura do homem perfeito. Através de táticas de miscigenação aprendidas com os colonos portgueses do século 17, essas russinhas estão rapidamente populando o planeta com comunistazinhos híbridos. E elas gostam de principalmente de laçar "alvos" americanos, tornando a guerra fria uma guerra muy caliente...Por homem perfeito entende-se que este "alvo estratégico" tenha: uma economia estável (grana no bolso), identificação cultural forte (senso de humor), um sentido de comprometimento na política interna (gostar de crianças e família).
E como não poderia deixar de ser, os russos, bons que são de propaganda política (melhor que os brasileiros em horário eleitoral), têm uma forma inusitada de chamar a atenção para este novo produto que com certeza garantirá a permanência do recém-assassinado comunismo no mundo (ou assim acreditávamos), através do turismo:
"...Read our travel guide about this country and its ladies and start dating one of the girls from Ukraine..."
Visite os campos de trigo da Ucrânia, e leve uma mulher como souvenir! (Essa valorização da mulher sempre me impressiona...)
Bem, se as brasileiras não estiverem os satisfazendo, saibam que a princesa Anastácia estará à sua espera...
ANASTASIAWEB
O melhor da história é que este site é baseado nos EUA! Por falar em guerra fria-caliente....
3.3.05
Computador ou nao computador
AMEI os comentários no post sobre arte e computador.
Para mim a questão é simples: a arte sempre andou agarrada a todas as inovações tecnológicas. Quando inventaram a tinta a óleo vendida pronta em tubinhos, os impressionistas falaram "oba!! agora posso pintar no meio do mato com um cavaletezinho sem ter que levar uma penca de assistentes pra ficar macerando pigmento na floresta!" Imaginem que se não fosse a tinta em tubinhos, a maioria esmagadora de telas impressionistas nunca teria sido feita. Pois foi justamente o tubinho portátil que permitiu que os caras estivessem ali, in loco, observando a mudança da luz que transmitiam aos seus quadros...
Agora imagina o século 21. Sociedade pós-capitalista pós-feminista pós-pós-moderna. Guerras comandadas de bases longínquas através de tecnologia. Telefone Celular. Internet. Como é que a arte pode ficar à margem disso tudo? A arte é sempre uma reflexão da inovação da época corrente. Se hoje a questão de conectividade e acesso a informação é uma das mais importantes na história contemporânea, é natural que a arte encontre um espaço ali.
Eu acho que o computador veio adicionar muita coisa à arte. Concordo que esteticamente, a maioria das ilustrações digitais feitas por aí são um tédio e cafonas. MAS, quando falo arte+computador não falo de estética. Caguei para a estética. O interesse está no sistema de captura e disseminação de informação, de como as imagens vão parar num site, o que acontece com elas, e como saem de lá. Em como a informação pura pode se tornar um agente de entendimento da nossa época muito mais eficaz e elucidativo do que tinta a óleo sobre tela.
O computador também não exclui ninguém. Ainda se fabricam anualmente toneladas de tinta a óleo para pintar sobre tela. A fotografia digital é para a fotografia mecânica o que o telefone comum é para o telefone celular. A função é a mesma, o objetivo idêntico. Só muda a tecnologia.
Mas a gente pode passar o dia inteiro debatendo as "receitas" para fazer arte. O que importa pra valer é o seguinte: é o OLHAR. Com o olhar, faz-se boa arte até com um pedaço de pau, lixo, com o próprio corpo, ou com a meleca que acabou de tirar do nariz.
Tudo é significado. E eu não troco a minha arte feita com computador por nada nesse mundo. É a fronteira das possibilidades.
Para mim a questão é simples: a arte sempre andou agarrada a todas as inovações tecnológicas. Quando inventaram a tinta a óleo vendida pronta em tubinhos, os impressionistas falaram "oba!! agora posso pintar no meio do mato com um cavaletezinho sem ter que levar uma penca de assistentes pra ficar macerando pigmento na floresta!" Imaginem que se não fosse a tinta em tubinhos, a maioria esmagadora de telas impressionistas nunca teria sido feita. Pois foi justamente o tubinho portátil que permitiu que os caras estivessem ali, in loco, observando a mudança da luz que transmitiam aos seus quadros...
Agora imagina o século 21. Sociedade pós-capitalista pós-feminista pós-pós-moderna. Guerras comandadas de bases longínquas através de tecnologia. Telefone Celular. Internet. Como é que a arte pode ficar à margem disso tudo? A arte é sempre uma reflexão da inovação da época corrente. Se hoje a questão de conectividade e acesso a informação é uma das mais importantes na história contemporânea, é natural que a arte encontre um espaço ali.
Eu acho que o computador veio adicionar muita coisa à arte. Concordo que esteticamente, a maioria das ilustrações digitais feitas por aí são um tédio e cafonas. MAS, quando falo arte+computador não falo de estética. Caguei para a estética. O interesse está no sistema de captura e disseminação de informação, de como as imagens vão parar num site, o que acontece com elas, e como saem de lá. Em como a informação pura pode se tornar um agente de entendimento da nossa época muito mais eficaz e elucidativo do que tinta a óleo sobre tela.
O computador também não exclui ninguém. Ainda se fabricam anualmente toneladas de tinta a óleo para pintar sobre tela. A fotografia digital é para a fotografia mecânica o que o telefone comum é para o telefone celular. A função é a mesma, o objetivo idêntico. Só muda a tecnologia.
Mas a gente pode passar o dia inteiro debatendo as "receitas" para fazer arte. O que importa pra valer é o seguinte: é o OLHAR. Com o olhar, faz-se boa arte até com um pedaço de pau, lixo, com o próprio corpo, ou com a meleca que acabou de tirar do nariz.
Tudo é significado. E eu não troco a minha arte feita com computador por nada nesse mundo. É a fronteira das possibilidades.
Rule-based Art
Na PaceWildenstein em NY, uma exposição sobre "Rule-Based Art", traduzindo: arte feita a partir de regras.
Do release: Logical Conclusions explores the work of dozens of artists who apply a system of rules to their process of creation, resulting in artwork that ultimately becomes created, generated, and constructed by the imposed algorithm. As Glimcher states in his essay, the rule-based art on exhibit is “created utilizing one or more logic-based systems to direct the design and creation of the object.” The systems may be based on or derived from mathematics, logic, and game theory and therefore can range from the use of scientific proofs to arbitrary yet personally consequential rules. The processes extend from formula based systems with deterministic outcomes to variable systems that allow for the artist’s hand to show through to systems of chaotic processes whose results are completely unpredictable.
E é exatamente o que eu faço com os meus painéis compostos de imagens que busco no Google....crio o método, aplico o algoritmo, e o resultado é a manifestação de um sistema, de uma "vontade" imposta pelo método, e não sujeito à minha inspiração subjetiva/divina. Gosto de fazer porque não é indulgente. Sistemas de pensamento são mais poderosos do que a estética...
Do release: Logical Conclusions explores the work of dozens of artists who apply a system of rules to their process of creation, resulting in artwork that ultimately becomes created, generated, and constructed by the imposed algorithm. As Glimcher states in his essay, the rule-based art on exhibit is “created utilizing one or more logic-based systems to direct the design and creation of the object.” The systems may be based on or derived from mathematics, logic, and game theory and therefore can range from the use of scientific proofs to arbitrary yet personally consequential rules. The processes extend from formula based systems with deterministic outcomes to variable systems that allow for the artist’s hand to show through to systems of chaotic processes whose results are completely unpredictable.
E é exatamente o que eu faço com os meus painéis compostos de imagens que busco no Google....crio o método, aplico o algoritmo, e o resultado é a manifestação de um sistema, de uma "vontade" imposta pelo método, e não sujeito à minha inspiração subjetiva/divina. Gosto de fazer porque não é indulgente. Sistemas de pensamento são mais poderosos do que a estética...
2.3.05
Computer artist ou critica?
Dos corredores da arte contemporânea:
Eu sentada no computador do atelier do meu chefe, um pintor famoso no Rio de Janeiro. Entra o novo assistente da "cozinha" dele, e me pergunta:
"Isabel, você vai fazer mestrado?"
- Começo semana que vem no Fundão...
"Você vai estudar crítica de arte, né?
- Não, Linguagens Visuais, a linha do mestrado para artistas praticantes...
"Você não é artista, é?"
- Se vou fazer mestrado para artistas praticantes acho que isso me qualifica com artista que faz arte...
"Mas você não mexe com computador?"
- Sim. Eu e 2 bilhões de pessoas no mundo...
"Então você não é artista...."
- Não é artista quem NÃO mexe com o computador!!!
Foda. Pleno 2005, e ainda tenho que ouvir essas merdas....
Eu sentada no computador do atelier do meu chefe, um pintor famoso no Rio de Janeiro. Entra o novo assistente da "cozinha" dele, e me pergunta:
"Isabel, você vai fazer mestrado?"
- Começo semana que vem no Fundão...
"Você vai estudar crítica de arte, né?
- Não, Linguagens Visuais, a linha do mestrado para artistas praticantes...
"Você não é artista, é?"
- Se vou fazer mestrado para artistas praticantes acho que isso me qualifica com artista que faz arte...
"Mas você não mexe com computador?"
- Sim. Eu e 2 bilhões de pessoas no mundo...
"Então você não é artista...."
- Não é artista quem NÃO mexe com o computador!!!
Foda. Pleno 2005, e ainda tenho que ouvir essas merdas....
Never So Close, Never So Far...
Continuando o assunto sobre relacionamentos a longa distância e como a tecnologia torna-se um instrumento de proximidade, até mesmo no amor...Este casal de americanos, impossibilitados de viverem na mesma cidade, utilizam a tecnologia de PodCasting para manter-se em contato 24/7, sabendo tudo o que outro faz, onde está, o que pensa...Parece mundano, mas a asobrevivência do amor deste casal depende intrinsicamente da tecnologia móvel de áudio, vídeo, foto e texto...Não é lindo?
Conheço algumas pessoas que mantêm relacionamentos on-line, como minha amiga que conheceu o atual namorado turco pelo ICQ (saudades do ICQ!!) e hoje passa 3 meses do ano em Istambul, mas quando estão vivendo separados se comunicam por mensagens de texto pelo celular o dia todo, além do Skype (Voice over IP), MSN, etc...(sorry, não linko pro MSN porque é da Microsoft e sou partidária do software livre). Ela pensa em ter filhinhos e tudo o mais com o seu amor turco, e o cotidiano só é possível por causa da internet.
Viva o amor!!!
O site:
From the busy, lonely halls of post-Valentine's Day winter comes a project about 'two people in two places living together while apart.' 'IN Network' is a collaboration between bi-coastal conceptual sweethearts Michael Mandiberg (New York) and Julia Steinmetz (Los Angeles). Presently unable to live in the same city, they opt to occupy the same routines, which they synchronize and electronically relay to each other through sets of camera phones and microphones. Powered by a phone promotion that allows for unlimited airtime between clients who are 'in network,' Mandiberg and Steinmetz are in touch 24/7. During the month of March, Turbulence.org will host webcasts, podcasts (audio broadcasts distributed to hardware via software subscription), and a moblog (blog of mobile phone photography) to transmit to an online audience the constant correspondence that describes their fused existence: 'driving to/from work, eating dinner, giving lectures to students, going for walks, ! having cocktails, reading books in silence, falling asleep and waking up.' This sharing of lives, though consisting of the mediatized and mundane, is less entrenched in data and detritus than it is in the lives of, and new possibilities for being, people. - Kevin McGarry (Rhizome.org)
Acompanhe Michael e Julia em INNETWORK
Conheço algumas pessoas que mantêm relacionamentos on-line, como minha amiga que conheceu o atual namorado turco pelo ICQ (saudades do ICQ!!) e hoje passa 3 meses do ano em Istambul, mas quando estão vivendo separados se comunicam por mensagens de texto pelo celular o dia todo, além do Skype (Voice over IP), MSN, etc...(sorry, não linko pro MSN porque é da Microsoft e sou partidária do software livre). Ela pensa em ter filhinhos e tudo o mais com o seu amor turco, e o cotidiano só é possível por causa da internet.
Viva o amor!!!
O site:
From the busy, lonely halls of post-Valentine's Day winter comes a project about 'two people in two places living together while apart.' 'IN Network' is a collaboration between bi-coastal conceptual sweethearts Michael Mandiberg (New York) and Julia Steinmetz (Los Angeles). Presently unable to live in the same city, they opt to occupy the same routines, which they synchronize and electronically relay to each other through sets of camera phones and microphones. Powered by a phone promotion that allows for unlimited airtime between clients who are 'in network,' Mandiberg and Steinmetz are in touch 24/7. During the month of March, Turbulence.org will host webcasts, podcasts (audio broadcasts distributed to hardware via software subscription), and a moblog (blog of mobile phone photography) to transmit to an online audience the constant correspondence that describes their fused existence: 'driving to/from work, eating dinner, giving lectures to students, going for walks, ! having cocktails, reading books in silence, falling asleep and waking up.' This sharing of lives, though consisting of the mediatized and mundane, is less entrenched in data and detritus than it is in the lives of, and new possibilities for being, people. - Kevin McGarry (Rhizome.org)
Acompanhe Michael e Julia em INNETWORK
27.2.05
Segredos online
Um dos assuntos que mais me interessam nessa web maluca em que navegamos é a total anonimidade do autor. Você pode ser de qualquer cor, gênero e credo e tanto faz. O que vale é quem você diz que é e a informação que você introduz na rede. Porque se ater à verdade? Se você não gosta de si, cria uma persona na internet que representa o que você quer ser e ninguém vai te encher o saco. Mas vida de simulacro e simulação tem limite no nosso ser...Alguns sites e obras de arte online utilizam o aspecto confessional da web para mostrar a "verdade" escondida de cada um...sem identidade revelada você pode ser o mais autêntico que quiser ser, ou não. E quem se importa com a "verdade"? Os sites abaixo são deliciosos porque lidam exatamente com esse aspecto da "verdade" que nós seres humanos não conseguimos largar, e nem daquela prática cristã incômoda de "se confessar" como um modo de dividir o segredo com deus. Ou com um computador. Tanto faz...
Sugestões de projetos de arte online para aqueles que simplesmente não conseguem deixar de bisbilhotar na vida dos outros e também não conseguem manter segredos por muito tempo:
Grande sugestão de visita da maravilhosa DaniCast: POSTSECRET, projeto colaborativo onde pessoas mandam cartões postais com seus segredos ilustrados via correio para um endereço nos EUA e depois são postados nesse blog...E eu, que sou tarada por cartões postais que coleciono desde pequeninha e que compro em todos os sebos possíveis, obviamente me amarrei!!!
O site CONFESS permite que o usuário poste suas confissões.A cada confissão postada você tem direito a fazer uma resenha de uma outra confissão e assim "qualificar" e comentar a confissão de outro anônimo, para que "this little self destructive site keeps humming." É muito legal.
Sugestões de projetos de arte online para aqueles que simplesmente não conseguem deixar de bisbilhotar na vida dos outros e também não conseguem manter segredos por muito tempo:
Grande sugestão de visita da maravilhosa DaniCast: POSTSECRET, projeto colaborativo onde pessoas mandam cartões postais com seus segredos ilustrados via correio para um endereço nos EUA e depois são postados nesse blog...E eu, que sou tarada por cartões postais que coleciono desde pequeninha e que compro em todos os sebos possíveis, obviamente me amarrei!!!
O site CONFESS permite que o usuário poste suas confissões.A cada confissão postada você tem direito a fazer uma resenha de uma outra confissão e assim "qualificar" e comentar a confissão de outro anônimo, para que "this little self destructive site keeps humming." É muito legal.
18.2.05
Relacionamento online
Recebi o seguinte comentário do H. , em resposta à pergunta: até que ponto o relacionamento virtual pode ser um subsituto para um relacionamento real, de corpo?
H. comentou:
Não substitui. Posso garantir.
Conheci minha ex-namorada em um chat e namoramos por três meses, me apixonei perdidamente por sua inteligência e experiênica de vida; mas quando conversávamos via msn era terrível. Sempre brigávamos e era insuportável mais que 15 minutos de conversa online. Ao vivo nos dávamos muito bem, tanto que o namoro terminou por outros motivos extras, mas online posso lhe dizer que era broxante.
Queria saber se vocês tem alguma história para compartillhar. Me fascina essa capacidade afetiva da internet, tenho visto isso em muitos sites de namoro, que são o alvo da minha pesquisa comportamental e visual de agora. Me pergunto se o amor através dessa mídia é diferente por causa da mídia, se a facilidade tecnológica dita um certo tipo de comportamento antes impossível. Ao mesmo tempo fico analisando os romances epistolares escritos desde que o mundo é mundo e acho que as versões online e instantâneas são uma versão eletrônica desse gênero literário. Aliás, boa pergunta, as pessoas se relacionam online porque procuram uma camada literária e romântica em suas vidas? Acredito que o cérebro é o órgão sexual mais poderoso do ser humano, e o relacionamento online, impulsionado por palavras atinge o cérebro antes do corpo. Mas até que ponto não precisamos de sinestesia? Até que ponto a culpa é da tecnologia?
Acho que esse meio de relacionamento vistual é uma espécie de purgatório do ser, um limbo do amor. Quando é que vocês decidiram que era a hora de "encontrar" o outro? Será que era só um relacionamento construído de palavras? E quando as palavras não bastaram, o que vocês fizeram?
Querem dividir histórias de sucesso? de derrota?
H. comentou:
Não substitui. Posso garantir.
Conheci minha ex-namorada em um chat e namoramos por três meses, me apixonei perdidamente por sua inteligência e experiênica de vida; mas quando conversávamos via msn era terrível. Sempre brigávamos e era insuportável mais que 15 minutos de conversa online. Ao vivo nos dávamos muito bem, tanto que o namoro terminou por outros motivos extras, mas online posso lhe dizer que era broxante.
Queria saber se vocês tem alguma história para compartillhar. Me fascina essa capacidade afetiva da internet, tenho visto isso em muitos sites de namoro, que são o alvo da minha pesquisa comportamental e visual de agora. Me pergunto se o amor através dessa mídia é diferente por causa da mídia, se a facilidade tecnológica dita um certo tipo de comportamento antes impossível. Ao mesmo tempo fico analisando os romances epistolares escritos desde que o mundo é mundo e acho que as versões online e instantâneas são uma versão eletrônica desse gênero literário. Aliás, boa pergunta, as pessoas se relacionam online porque procuram uma camada literária e romântica em suas vidas? Acredito que o cérebro é o órgão sexual mais poderoso do ser humano, e o relacionamento online, impulsionado por palavras atinge o cérebro antes do corpo. Mas até que ponto não precisamos de sinestesia? Até que ponto a culpa é da tecnologia?
Acho que esse meio de relacionamento vistual é uma espécie de purgatório do ser, um limbo do amor. Quando é que vocês decidiram que era a hora de "encontrar" o outro? Será que era só um relacionamento construído de palavras? E quando as palavras não bastaram, o que vocês fizeram?
Querem dividir histórias de sucesso? de derrota?
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